Muito mais do que o ABC

Posted on 13/04/2009 por

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Por Morgana Neves e Mariana Garcia

A escola deve ser um lugar de aprendizado, com tarefas, livros, brincadeiras e muitas outras atividades legais. É desse jeito que funcionam as aulas da Escola Municipal Novo Marotinho, localizada na Avenida Aliomar Baleeiro (Estrada Velha do Aeroporto), no quilômetro cinco em Novo Marotinho. A escola que completa 22 anos em abril atende há 700 alunos e vai do primeiro ao quinto ano do ensino fundamental. As crianças do quinto ano do turno matutino, falaram sobre a escola, do que gostam de estudar e também de outros assuntos, como cidadania e discriminação.

 

garota-jaciene-por-hailton-andradeO que as crianças gostam

Gosto de estudar, da professora e do recreio. Gosto também de história porque aprendo as coisas do Brasil (…) A professora é uma pessoa amiga. Nos ajuda quando estamos tristes, nos ensina a ler e quando a gente tem dificuldade, ela senta do lado e explica”, diz Jaciene Batista Santos, de 11 anos, aluna do quinto ano.

“Gosto de português, pois foi a primeira matéria que eu aprendi, e da biblioteca, já que é lá que os livros estão e aí eu posso ler”,diz Felipe da Silva, de 10 anos, aluno do quinto ano.

Apesar da matemática não ser uma das matérias preferidas da criançada, tem criança que gosta. “Eu gosto de estudar matemática, pois eu tenho muita facilidade com números. Gosto de vir para a escola porque eu aprendo um bocado, vejo os meus amigos e aí, depois, a gente pode brincar”, diz Cássia da Silva Pereira, de 10 anos, aluna do quinto ano. “Gosto muito da professora porque ensina bem e nos diverte, e é atenciosa com as nossas dificuldades”, diz Wallace da Silva, de 12 anos, aluno do quinto ano.

O que a professora achaprofessora-licia-por-hailton-andrade

Lícia Maria de Sousa, de 41 anos, trabalha no colégio há quatro anos e ensina todas as disciplinas exceto inglês. “Tenho alunos aqui de nove a quinze anos, a aprendizagem poderia ser melhor. Com as diferenças de faixa etária se torna difícil aplicar o mesmo método de ensino para todos, já que alguns apresentam dificuldade com a leitura e a escrita”, completa.

Lícia diz que o maior problema é a falta de infra-estrutura e a violência. O fato é tão sério que já despertou a atenção da professora provocando até a suspensão do recreio. “Tivemos que tomar essa medida pela indisciplina dos alunos, que pela falta de uma ocupação e pelo pouco espaço do pátio na hora do recreio, acabam participando de brincadeiras violentas (…) A escola precisa aumentar o número de bebedouros, consertar os banheiros, ampliar a biblioteca e o espaço para as crianças brincarem.

O que poderia melhorar

“Não deveria haver violência nem correria, todo mundo deveria brincar direitinho e respeitar seu colega. (…) A escola precisa de mais atenção, uma boa reforma em todas as salas e melhorar a biblioteca”, diz Jaciene. “Eu colocaria mais computadores, aumentaria as salas, ampliaria a biblioteca e compraria mais jogos para a gente brincar”, diz Welber Luan de Sousa, de 10 anos, aluno do quinto ano.

“Eu colocaria um parque no pátio, ter brinquedos é importante e também uma piscina, para a gente poder nadar”, diz Felipe. Outro assunto comentado pelas crianças é a discriminação que alguns colegas sofrem. “Tem um colega nosso que é gordinho, o pessoal fica abusando ele. Isso é errado, a professora sempre disse que discriminação é feio, que a gente não pode debochar de uma pessoa por causa da sua cor, ou da aparência”, completa.

“Eu trocaria as mesas, as cadeiras, colocaria mais merendeiras e mudaria o refeitório. Tem algumas vezes que a merenda tá sem sal ou sem açúcar e aí, não dá né?”, diz Wallace, que apesar da pouca idade, conhece os seus direitos como cidadão. “Nós temos direito a uma escola melhor, como qualquer criança, afinal, nossos pais pagam impostos” complementa.

O que a diretora acha

Alexandra Cristina Lange, que há dois meses trabalha na instituição, descreve o que a escola tenta proporcionar aos alunos, desde equipamentos na área de informática a brinquedos. “Nós temos laboratórios de informática, sempre buscamos ouvir as crianças, temos brinquedos educativos que apesar de poucos, ensinam de forma lúdica e dinâmica. Sempre estamos junto com a Prefeitura para melhoria da escola”, completa.

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Posted in: ZOADA