HTLV, um mal ainda desconhecido

Posted on 28/11/2008 por

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por Lucas Rocha

Ele é pequeno e muito discreto. Poucos o conhecem porque quando chega, apenas chega e vai ficando. Dificilmente chama atenção. Não aparece na mídia. De quem estou falando? Do Human T Lymphotropic Virus ou simplesmente HTLV. Parente próximo ao HIV, transmissor da AIDS, a forma de transmissão também é parecida: sexual, amamentação, sangüínea e vertical. Apesar de microscópico e muito pouco conhecido, o HTLV está mais presente no nosso cotidiano do que podemos imaginar.

O HTLV pode ser considerado um problema de saúde pública, já que é uma doença com alta incidência em Salvador e no Brasil. Segundo dados da Fiocruz, estima-se que cerca de 50 mil baianos estejam infectados pelo vírus, logo, é algo que precisa ser tratado, como afirma a diretora médica do Hospital Couto Maia, Ana Verônica Mascarenhas. A médica acredita que o vírus não é tão divulgado pela mídia apesar de ser um problema de saúde pública, porque os danos são muito menores do que os provocados pelo vírus da AIDS. Enquanto quase todos os portadores de HIV manifestarão a doença em algum momento da vida, apenas 5% dos infectados pelo HTLV vão apresentar os sintomas da doença, que acomete principalmente as mulheres.

O HTLV ataca os linfócitos T, que é um tipo de célula responsável pela defesa do organismo. Assim, o paciente fica vulnerável a outras doenças externas, transmitidas por vírus ou bactérias. Os sintomas mais comuns da doença, segunda dados da Fundação Osvaldo Cruz (Fiocruz) são: fraqueza progressiva dos membros inferiores e incontinência fecal e urinária, entre outros sintomas. O HTLV está dividido em tipo 1 e dois tipos, o 1 e o 2. Ambos estão relacionados a várias outras doenças, principalmente neurológicas, dentre as doenças estão: paraparesia espástica tropical / mielopatia associada ao HTLV, leucemia de células T do adulto e uveíte.

Segundo informações divulgadas pela Fiocruz, Salvador é a capital brasileira com maior quantidade de infectados pelo vírus, embora muitos de seus portadores não saibam que estão infectados, pois o mesmo permanece assintomático. Ana Verônica disse que a capital baiana tem o quádruplo de pessoas infectadas quando comparada a São Paulo, uma capital muito maior. Apesar de menos conhecido do que o HIV, muitos pesquisadores epidemiologistas acreditam que o HTLV seja mais antigo do que o vírus da AIDS. Esse pensamento é fundamentado no fato de o vírus estar distribuído em larga escala pelo globo entre populações que não tinham muita inter-relação. A doença ocorre com maior freqüência, por um fator ainda inexplicável, nos países próximos a linha do equador.
Um seminário organizado pela turma de 5° semestre de jornalismo do Centro Universitário Jorge Amado, intitulado “HTLV… o que é isso?”, foi realizado no Presídio Lemos Brito (PLB), localizado no bairro da Mata Escura. O evento foi orientado pela professora Márcia Guena e contou com a participação de profissionais como Dr. Nevton Matos de Castro, que é urologista e pesquisador da doença, e Dra. Ana Verônica Mascarenhas, que falaram para as detentas sobre o vírus, desde sua origem até seu tratamento e da importância da prevenção. O seminário contou também com a participação da portadora Ana Maria, 43, que só descobriu a doença quando foi realizar um exame a pedido da empresa em que trabalha. Ana Maria acredita que contraiu o vírus na amamentação, pois afirma que teve três mães de leite e uma delas poderia ser portadora do vírus. Antes de abrir o espaço para o esclarecimento de dúvidas, Ana Maria deixa um recado para as detentas “aconselho a todas vocês usarem camisinha porque não previne apenas o HTLV e o HIV, mas muitas outras doenças que tem por aí”.

O HTLV é uma doença que ainda não tem cura, mas tem tratamento baseado em medicamentos e fisioterapia. A doença tem sido muito estudada por pesquisadores, mas o melhor método até hoje criado para combatê-la foi o preservativo. “Quem vê cara não vê nada”, declara Ana Maria.

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