Conscientização sobre o HTLV no Complexo Penal Feminino

Posted on 28/11/2008 por

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O conhecimento que liberta!

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por Acácia Novaes

Amor, afago, carinho, sexo, tesão…

Correntes, amarras, grades, prisão…

O HTLV é um vírus que condena e mata! Sua flecha? O amor! Tendo como principal meio de transmissão o sexo, o número de contaminados vem crescendo a cada dia em Salvador. Estima-se que cerca de 50 mil pessoas estão infectadas na capital do aconchego, do carinho, do prazer… É por relações sexuais sem preservativo, o compartilhamento de seringas, das transfusões de sangue com material infectado, da amamentação por leite contaminado é que muitas pessoas se tornam portadoras do vírus.

Mulher. Pensando nelas… As maiores vítimas, mas também principais transmissoras da doença, porque ama, amamenta. Assim, foram escolhidas as mulheres, mães e filhas residentes da Complexo Penal Feminino de Salvador, pela turma do 5º Semestre de Jornalismo da Unijorge para uma conscientização da gravidade deste vírus e da necessidade de proteção.

Proteção. Convidado pela equipe, o urologista, Neviton Matos, palestrou sobre a doença. Em meio a palavras difíceis, termos técnicos, ilustrações em slides, a platéia, com papéis e canetas, escreveu dezenas de perguntas, dúvidas… Dúvidas que muitas vezes nada tinham a ver com o HTLV, mas que a também convidada, infectologista e diretora médica do Hospital Couto Maia, Ana Verônica Mascarenhas, discorreu, desvendou, elucidou, respondeu e mais, muito mais! As internas sentiram-se à vontade. Protegidas dos preconceitos fizeram perguntas mais íntimas… “e com a masturbação, doutora? Pega?” “E mulher com mulher, doutora, pega?”, essa pergunta foi feita por uma mulher que mais parecia uma criança, pela sua estatura, seu andar, sua gargalhada, pelos afagos que fazia durante quase todo o seminário em sua companheira e depois cobrava o carinho de volta, como uma criança carente. Mesmo com perguntas embaraçosas elas tiveram suas respostas simples e objetivas.
Roupas amarelas, detalhes, apenas, diferenciam uma das outras, um bordado em vermelho no uniforme, um corte diferente na blusa, um laço nos cabelos, só assim, de costas, que podemos registrar essa platéia de mulheres condenadas, por suas histórias, suas escolhas! Foi assim, que a diretora do Complexo Penal Feminino, Silvana Selem, autorizou as fotografias. As mulheres olhavam desconfiadas, muitas se escondiam, franziam a testa e faziam bico, mas perceberam que não estavam sendo invadidas. Respeitadas, logo se acostumaram com os flashes, no final… Sorriram!!!

Risadas, olhares atentos, anotações… Um bebê, uma ingenuidade! Em uma conversa informal, a mãe de uma criança de apenas dois meses, responde ao ser perguntada sobre o meio utilizado por ela para se proteger destes tipos de doenças; “Na verdade eu já tenho oito anos com meu marido, usei o DIU antes de engravidar, mas pegar doenças é quase impossível, porque só tenho um parceiro!”

Informação, atenção, camisinhas, muitas camisinhas e brindes, foi o que receberam as residentes do Complexo Penal Feminino de Salvador, na manhã do dia 28 de Outubro de 2008, um dia de sol, de luz… Luz que entrou por entre as grades daquele auditório, mas não deixou de brilhar, apesar das sombras do lugar.

Todos sabem dos riscos que correm, mas muito ainda correm os riscos. Por amor? Não! Pela falta dele.

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Link do Projeto
http://www.4shared.com/file/73235018/40a1036b/PROJETO_HTLV.html

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