Inserção Social, um direito

Posted on 15/10/2008 por

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por Lucas Ferreira Rocha

Vencedora de vários prêmios a ONG Cipó trás para os jovens oportunidades de crescimento na sociedade através de seus projetos. Projetos estes que não buscam apenas a inclusão social, mas também uma profissionalização. Dentre estes projetos estão: o Escola Interativa, o OI KABUM! Escola de Arte e Tecnologia e o KABUM! Novos produtores!

Luz, Câmera, Ação! “Os projetos OI KABUM! Escola de Arte e Tecnologia e o KABUM! Novos produtores! são projetos complementares”, afirma a coordenadora Sandra Loureiro, 44 anos, formada em Artes Plásticas pela Universidade Federal da Bahia, especializada em Educação e Mestranda em Educação que desde 2006 está no cargo. O projeto Oi! Kabum iniciou em 2004 em parceria com o Oi! Futura, Rio de Janeiro, vindo para Salvador dois anos depois. A Cipó foi a escolhida pela Oi! Futura por ter um formato parecido. “Aqui os jovens aprendem fotografia, vídeo, computação gráfica e design gráfico. Trata-se de um espaço de crescimento profissional e pessoal”, afirma Sandra.

Funcionando no Nordeste de Amaralina, no Centro Social Urbano, o projeto é parceiro da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura), que avalia o trabalho do Oi! Kabum e divulga a qualidade do projeto internacionalmente, e SEDES (a Secretária Estadual de Desenvolvimento Social e Combate à pobreza). Já trabalhou para a UNICEF, Aliança Francesa e Canal Futura.

Com duas turmas concluídas, e iniciando a terceira, Sandra acredita que esse trabalho pode ser reproduzido por outras organizações e esferas públicas, tornando-se uma forma de mudar a realidade dos jovens brasileiros. Para os alunos da terceira turma de Computação Gráfica da Oi! Kabum Luan Rodrigues, 18 anos, e Erick de Jesus, 16 anos, o projeto é uma ótima iniciativa: “Estou gostando muito do curso”, diz Luan; “As aulas são divertidas, aprende muito bem. Por incrível que pareça, o que eu mais gosto é a diferença de opiniões entre os alunos”, afirma Erick. Luan enxerga no projeto uma oportunidade como portas abertas para o seu grande sonho que é seguir a carreira nessa área e por que não trabalhar na Pixar da Disney? O projeto conta com 80 jovens das regiões periféricas de Salvador e são distribuídos por quatro turmas com 20 alunos cada.

Outro projeto que também merece destaque é o Escola Interativa. Com cerca de oito anos de existência, ele vem implantando nas escolas públicas uma forma de ensino pouco vista, a edu-comunicação. Nessa nova metodologia os alunos são educados pela comunicação, ou seja, eles elaboram produtos de comunicação: constroem um mini programa de rádio, um jornalzinho, um mini documentário e outros produtos de comunicação. Este foi um dos primeiros projetos criados pela Cipó, tendo quase a mesma idade da ONG (10 anos). Há seis meses o projeto está sob a coordenação de Cláudia Vasconcelos, 32 anos, “Nossa principal área de atuação é o subúrbio, pois foi a área que a Cipó elegeu como região prioritária”, declara Cláudia.

Na elaboração dos produtos de comunicação os alunos trabalham diversos temas, podendo estes ser levantados pelos profissionais do projeto ou pela instituição de ensino. Dentre os produtos de comunicação trabalhados pela Escola Interativa, os alunos juntamente com a direção da escola, devem escolher uma linguagem prioritária para a produção do produto de comunicação. Essa escolha na grande maioria das vezes se dá através dos recursos que contam a escola e pela afinidade os alunos, “… a gente não fica levando nada daqui para lá, o que a gente leva são as pessoas que trazem esse conhecimento (sobre os meios de produção) e essa metodologia mesmo (educom)”, afirma Cláudia. Em alguns casos uma escola pode produzir dois ou mais produtos. Em outros, as escolas escolhem produtos os quais não têm recursos para serem trabalhados. Neste caso atuam os “oficineiros intinerantes”, que são pessoas mais técnicas da linguagem, que conhecem mais os produtos de comunicação e que vão às escolas dar aula sobre o produto escolhido. 
O projeto funciona em turno oposto ao que os alunos estudam. Por isso não interfere o curso normal da instituição. É mais voltado para os alunos, o que deixa os professores um pouco de lado. Cláudia deseja implantar algumas mudanças, dentre elas quer inserir mais o professor da própria escola. “Ainda estamos em um estágio de adaptação tendo em vista que a equipe é nova”, justifica.

Dentre os principais obstáculos apontados pela coordenadora estão: o diálogo com a Secretaria de Educação que é muito técnico e limitado; a falta de entendimento dos professores (afirma ser também um problema do projeto); a continuidade, pois o projeto começa na escola e não sabe se vai continuar no próximo ano; a evasão do adolescentes, por que muitos começam a trabalhar e abandonam.

Em Salvador são quatro escolas integradas, somadas a mais quatro nas regiões metropolitanas de Camaçarí e  Dias D’Avila. O projeto foi desenvolvido para as escolas públicas e o principal critério para a escolha das escolas é o grau de interesse que as mesmas demonstram. Inicialmente eles vão às instituições e apresentam as propostas para a diretoria, vão para as salas de aula e dialogam com os alunos. Caso a escola demonstre algum interesse eles enviam matérias, e-mails. Os que respondem e demonstram um interesse maior serão as áreas de atuação. Algumas vezes as escolas são indicadas pela Secretaria de Educação e a depender do grau de interesse a escola pode ser selecionada ou não.  “Não adianta os alunos quererem o projeto e a direção ou gestão da escola não quererem, pois assim o projeto não reverbera”, fala Cláudia. “O principal objetivo é que essa metodologia vire política pública, que todas as escolas da rede futuramente possam ter um maior contato com a edu-comunicação e adotar como disciplina essa discussões em torno do direito humano à comunicação”, completa.

 

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