Combate à violência nas escolas começa em casa

Posted on 25/09/2008 por

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por Jamile Freitas

Todo mês as escolas municipais de Canabrava reúnem os pais para iniciar uma parceria de um ano inteiro em torno do mesmo objetivo: levar crianças e adolescentes a aprender. No entanto, a falta de participação dos responsáveis tem gerado grande descontentamento por parte dos professores e é, conseqüentemente, refletido no comportamento das crianças. Apesar da ausência dos pais, as instituições do local procuram trabalhar com projetos pedagógicos para estimular e melhor orientar os alunos. Lá, funcionam duas escolas da rede pública: a Escola Municipal Comunitária de Canabrava e a Escola Municipal de Canabrava. Ambas trabalham com criança na faixa etária de 6 a 15 anos e compartilham do mesmo problema.

A Escola Comunitária Municipal de Canabrava possui cerca de 600 alunos matriculados. Trabalham com o pré-escolar até a 5° série e contam com um pequeno histórico de violência. Para o diretor da escola Roberto Rivelino, 38 anos, houve uma diminuição significante: “Ultimamente temos registrado poucos casos de agressão. Geralmente ela se dá pela criança possuir idade avançada em relação à série em que estuda. Então quando são colocadas crianças com faixa etária muito distante há um choque”.


Para a professora Sueli Viana, 41 anos, havia muita dificuldade para ensinar: “A violência aqui, até o ano passado, era bastante significativa. De agressão verbal contra o professor a uma criança bater na outra. Nessa época não conseguíamos trabalhar em sala”. Em casos como esse, a orientação é convocar uma reunião para que seja comunicado ao responsável pela criança.


Já aconteceu com minha filha. Ela teve um desentendimento com o colega. A mãe desse menino o aconselhou a agredir minha filha com um lápis nos olhos caso ela o incomodasse”, relatou a doméstica Marlene Silva, 33 anos. Segundo Sueli, hoje as reuniões acontecem mensalmente, mantendo contato aberto com os pais.


Embora haja o reconhecimento de que a violência na escola possa ocorrer nas relações entre professores e alunos, as causas mais citadas para o problema foram relacionadas ao ambiente familiar e social. A coordenadora Amanaiara Miranda, 37 anos, cita uma das possíveis causas: “Percebemos que a família não estimula. Algumas mães que não valorizavam a escola. ‘Como seu filho pode aprender desde quando você diz que a escola não presta, que ela é ruim’? É dessa escola que seu filho vai aprender! É ele que vai ser o modelo”.


O trabalho feito na escola é visto com bons olhos pela comunidade. “Fazemos projetos ligados ao resgate de auto-estima, sobre direitos e deveres, palestras, atividades lúdicas envolvendo a família. Desenvolvemos o projeto Canção Afirmativa, que trabalha a aceitação do outro. Já fizemos também atividades com relação à paz, no desfile da primavera, por exemplo, desfilamos com o tema Paz”, afirmou Rivelino.


A escola busca o diálogo com os pais através das reuniões. É nesse momento que a diretoria procura melhor maneira de explicar para eles como o seu filho tem se comportado e a importância do exemplo que eles têm que dar. “Nas reuniões os professores falam muito sobre o tema violência nas escolas e em casa também. Falam sobre o exemplo que temos que dar em casa, pois quando a mãe bate no filho ela está ensinando-o a ser violento também”, disse a estudante Tatiane Oliveira, 25 anos, que possui dois filhos matriculados no local.


A família desestruturada é lembrada como a principal causa. A escola seria apenas o lugar onde esses conflitos seriam colocados para fora. “Tem certos pais que não acompanham o filho nessa aprendizagem. Só faz matricular e não comparece a reunião. Eles têm que esperar o melhor dos seus filhos. Para mim não importa o histórico do aluno, o que a família esta fazendo. O importante é esperar o melhor deles”, afirma a coordenadora da Escola, Municipal de Canabrava, Fátima Barreto, 40 anos. Atualmente a escola está realizando o projeto “Canabrava mostra a sua cara”, onde cada sala vai trabalhar com uma temática sobre a questão diversidade.


Segundo a assessoria de Comunicação da Secretaria Municipal de Educação e Cultura, Neire Matos, nas escolas da rede municipal não há registros de violência, ou pelo menos de casos mais graves. Para os alunos da pré-escola à quinta série, práticas como agressão são combatidas através do esporte, do teatro e até do cinema. Algumas escolas da rede usam o cinema como mensagem de paz e enfatizam a arte no combate a violência e para o direito à cidadania.


O terapeuta transpessoal e também pedagogo da Escola Municipal de Canabrava,
Adilton Costa, 53 anos, revela outras causas: “O comportamento também tem uma grande carga da hereditariedade, o ambiente e, a partir disso, é que o individuo vai se comportar. Quando eu observo que existe na criança um comportamento inadequado, chamo os pais para saber se ele é assim em casa também”.

Telefones:
Secretaria de Educação: 2202-3035/3149, e-mail da assessoria: neirematos@hotmail.com/ ana.ascom@gmail.com
Escola Municipal de Canabrava: 36117363
Escola Comunitária de Canabrava: 36117362

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Posted in: EDUCAÇÃO