Saúde carente

Posted on 17/09/2008 por

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por Amanda Mota

A anemia falciforme, também chamada de drepanocitose ou siclemia é uma doença hematológica hereditária que causa destruição crônica das células vermelhas do sangue, episódios de intensa dor, susceptibilidade às infecções e lesões orgânicas. Na metade dos casos, as crises dolorosas são acompanhadas de febre, inchaço, sensibilidade, náuseas, vômitos, pressão alta e taquicardia. Pessoas com esta doença herdaram genes para um tipo de hemoglobina, a hemoglobina S, que quando submetida a quantidades baixas de oxigênio, se “cristalizam” e se deformam, tornando a hemácia rígida e com uma aparência de foice.

Existe na cidade de Salvador o “Programa de Atenção Integral às pessoas com a Doença Falciforme”, em conformidade com a “Política Nacional de Atenção Integral a Pessoas com a Doença Falciforme” e outras Hemoglobinopatias, onde ratifica o compromisso da atual gestão do governo da Bahia, por meio da Secretaria de Saúde do Estado, com a Saúde da População Negra, que é a população mais atingida por essa doença e, assim, busca promover a equidade na promoção da atenção à saúde das populações historicamente excluídas. O objetivo do Programa é reduzir a morbimortalidade das pessoas portadoras da doença, por meio de assistência de qualidade, organização da linha de produção de cuidados para a população e organização da rede de serviços, bem como promovendo ações de capacitação dos trabalhadores de saúde e oferecendo orientação e informação genética às pessoas e famílias com doença e traço falciforme, em todo Estado da Bahia promovendo longevidade com qualidade de vida. Segundo a Hematologista Drª Larissa Rocha do Hemoba, isso não é difícil: “A
variabilidade clinica é grande mais quando a pessoa recebe o tratamento de forma adequada, se o diagnostico precoce, se tem condições de oferecer uma boa qualidade de vida para que a pessoa possa estudar trabalhar e procurar viver a vida da melhor forma possível”.

A Anemia Falciforme é a mais comum em todo mundo. Decorrente de uma mutação genética ocorrida em populações do continente Africano, Asiático e Europeu, ela foi introduzida no Brasil por meio da migração forçada dos africanos. Dados do Programa Nacional de Triagem Neonatal (PNTN) mostram que nasce no Brasil, em média, 3.500 crianças com Doença Falciforme por ano, o que significa uma prevalência de 01 caso para cada nascido vivo (N.V.). A prevalência de traço falciforme é de 01 caso para cada 35 N.V., o que configura a doença falciforme como um problema de saúde pública. “No Estado da Bahia esses números assumem proporções alarmantes. A taxa de incidência é de 1/650 N.V. com a doença e 1/17 N.V. com traço falciforme. Somente no Hemoba, atualmente, estão cadastrados cerca de 2000 pessoas com doenças falciformes”, explica a Coordenadora Técnica da Diretoria de Gestão de cuidado da Coordenação de Promoção da equidade de saúde, Ivanete Nascimento.

Infelizmente essa é uma doença onde n
ão há nenhuma maneira de se prevenir já que é um problema hereditário e que dura para o resto da vida. Para algumas crianças com anemia falciforme, o transplante de medula óssea pode curar a doença, porém este é um tratamento de alto risco, principalmente usado naqueles com sintomas mais graves. Além disso, existem tratamentos, locais específicos e trabalhos desenvolvidos em comunidades pela Secretaria Municipal de Saúde: “Já temos trabalhos mais desenvolvidos nas comunidades carentes desde 2003 em todo o município com o objetivo de informar e tratar a doença, afinal, a Anemia Falciforme é bastante desconhecida em todo o Brasil e muito carente de atendimento”, explica a Coordenadora responsável, Maria Cândida.

Assim como a assistência aos pacientes pela Secretaria Municipal de Saúde, a APAE (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais), dá assistência à criança até os cinco anos de idade e já se é descoberta a partir do teste do pezinho: “A hemoglobina S pode ser identificada na triagem neonatal, conhecida popularmente como teste do pezinho e o importante é que se trate da doença desde a descoberta para que não leve a óbito”, afirma Maria Enês responsável pelo centro de tratamento do APAE.

Na cidade a Anemia Falciforme pode ser acompanhada em centros de referências como a APAE, Vai Salvador, Fundação Hemoba e o Hospital das clinicas que são tratamentos oferecidos pelo SUS. Importante também é se fazer uso com medicações de forma regular como exemplo de penicilina na prevenção de infecção, ácido fólico na qual é uma vitamina que auxilia na formação do sangue evitando piora da anemia e receber vacinas especiais para evitar doenças graves como Pneumonia, Meningite, Catapora, Hepatite A, entre outras. Esta doença se manifesta de diferentes formas em cada indivíduo, onde em alguns apresentam sintomas mais moderados e outros mais graves. Normalmente estes sintomas começam a aparecer a partir dos seis meses de vida e causam grande sofrimento, podendo levar até o óbito, como no caso do seqüestro esplênico e das infecções.

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