Pintor mostra sua arte em Sete de Abril

Posted on 17/09/2008 por

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Nivaldo da Bahia, pseudônimo de Nivaldo Santos França, 82 anos, é um artista plástico que vive no Bairro de Sete de Abril, em Salvador. Participará, ainda esse ano, do concurso Talentos da Maturidade, projeto que tem como competidores artistas com idade acima dos 60 anos, promovido pelo Banco Real, apresentando seus trabalhos.

Autodidata, Começou a pintar aos 13 anos, mas já aos 3, quando morava na Soledade, se interessava pelo trabalho de seu tio, que era pintor. Em sua juventude, Nivaldo pintava cartazes e letreiros para o Cine Liberdade em troca de ingressos para o cinema. Posteriormente, entra em contato com outros artistas, como Jaime Hora e Presciliano Silva.

Ao ser questionado sobre quais os temas mais frequentes em seus trabalhos artísticos, Nivaldo sorri e diz “bom, eu sempre faço essa brincadeira. Meu pseudônimo é Nivaldo da Bahia, mas meu nome é Nilvado França, então eu costumo dizer que troquei a França pela Bahia, exatamente porque pinto as coisas da minha terra, procuro retratar a Bahia em meus quadros, e faço isso por vários motivos. Além de valorizar as minhas raízes, dou a quem vem de fora a oportunidade de levar algo daqui da terra, da Bahia”.

Depois de ter produzido cartazes para diversas empresas, trabalhando já como artista plástico, Nivaldo se firmou como pintor. Vende seus quadros em pontos turísticos de Salvador, como o Mercado Modelo. “Eu trabalho como pintor, mas também como retratista e caricaturista, fazendo retratos das pessoas. Hoje, sobrevivo de minha arte, e, apesar de todos os obstáculos e dificuldades, sinto grande prazer com isso”, afirma.


A maioria dos compradores dos quadros de Nivaldo é de turistas. De acordo com ele, apesar de haver certa desvalorização na Bahia com relação à arte, isso não é um grande problema. “Veja bem, santo de casa não faz milagre. Se eu pintasse o Arco do Triunfo ao invés das coisas da Bahia, turista nenhum ia querer levar meus quadros, porque isso eles já têm lá. Eles desejam levar algo daqui, uma lembrança, uma recordação”, diz Nivaldo.

“Não gosto de passar meu material para revendedores, porque eles não sabem discernir, não sabem diferenciar um bom quadro de um quadro ruim. Além disso, eles desvalorizam o trabalho artístico, porque querem comprar a um preço muito baixo e vender por um valor altíssimo”, explica Nivaldo, que prefere vender seus quadros diretamente aos compradores, sem intermediários.

Nivaldo já expôs em diversas cidades, como São Paulo, Brasília, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, principalmente entre os anos de 64 e 74. Hoje, reivindica apoio do governo para os artistas baianos. “A questão é que o artista propaga a sua terra, valorizando seus atributos culturais, mas não é visto como agente fomentador de turismo”, completa.

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