Comida de rua é fonte de renda

Posted on 17/09/2008 por

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Em Jardim Nova Esperança a culinária gera de dinheiro e abre o apetite
por  Luide Farias

Moradores do bairro Jardim Nova Esperança ganham dinheiro com venda de comida nas ruas, seja em um tabuleiro, uma banca na esquina ou em um restaurante.

Felipe Barreto, dono do Restaurante Escondido no Sol, localizado no bairro Jardim Nova Esperança, revela que começou com um carrinho de cachorro-quente há 17 anos. “Eu sempre quis inovar, e essa coisa de colocar mais do que molho e salsicha no cachorro-quente eu já fazia desde antes. As pessoas gostam de comer bem, e por isso no meu restaurante procuro sempre trazer coisas novas”, afirma Barreto, quanto aos pratos exóticos da casa, como peixe cru com purê de aipim.

Felipe Barreto diz que o forte do restaurante são as quentinhas encomendadas por moradores e pessoas que trabalham no bairro.

A maior concorrente de Felipe não é dona de nenhum restaurante, mas sim a dona de casa Marília Gonçalves. Ela prepara quentinhas em casa e seu filho as entrega nos arredores do bairro usando a moto do pai. “Minha mãe cozinha bem, e por aqui todo mundo sabe disso. A diferença é que ela não usa conservantes e só faz a medida certa”, arremata Luiz Gonçalves, que sonha em ser chefe de cozinha.

Marília sustenta a casa somente com a venda das quentinhas. “Consigo tirar cerca de R$80 reais por dia”, revela ela, quanto ao rendimento bruto.

Das muitas formas de trabalhos existentes, Cleonice Souza, dona da barraca que vende caldo de sururu numa esquina do bairro Jardim Nova Esperança, reforça que a culinária é uma das mais rentáveis para pessoas nas situações como a dela: “Não é preciso de faculdade para aprender a cozinhar. Tem que ter paladar e intuição”, diz ela, que usa o dinheiro das vendas para sustentar o filho e a si mesma.

Ivone Santos, baiana do acarajé do bairro, diz que não paga nada para ter sua banca na rua: “Só gasto com o material do acarajé”, informa ela.

Além de fazer parte do mercado de trabalho informal, Ivone Santos também se orgulha por ajudar a manter uma das culturas que mais atrai turistas na Bahia. “Isso vem sendo passado de mãe pra filha, desde a escravidão, e eu me orgulho de fazer parte disso, pois sustenta meus filhos e mantém minha dignidade”, desabafa ela.

A venda de comida nas ruas vai além de estabelecimentos montados em esquinas. Bruno dos Santos, de 14 anos, vendedor de salgados produzidos pela mãe, diz que o negócio é melhor que vender balas, como fazia antes. “Em cada lugar tem gente vendendo de tudo, mas salgados é difícil encontrar por aqui e tenho até clientes fixos”, diz ele orgulhoso, que percorre todo o bairro com uma vasilha de salgados.

Sandro de Sá, professor de Economia da Faculdade Visconde de Cairú explica o porquê que comida de rua tem tanto crescimento: “O preço deste tipo de comida é inevitavelmente mais baixo, e a recorrência de desempregados para esta área deve-se às flexíveis horas de trabalho, carga horária opcional e isenção de taxas de impostos”, esclarece.

Resta apenas o alerta de que para comer na rua tem de ser feita antes uma observação do local onde os alimentos estão sendo guardados e como são preparados. As condições de higiene muitas vezes definem se o negócio irá ou não prosperar, já que os clientes prezam, antes de qualquer coisa, pela própria saúde.

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Posted in: CIDADE