Planejar: o melhor remédio

Posted on 10/09/2008 por

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PSF incentiva a gravidez responsável
por Cristina Jordão Nery

Com 36 anos e oito filhos, Rosanita Pereira, moradora de Canabrava, sabe bem as conseqüências e não participar de um planejamento familiar adequado. Esse acesso não depende apenas da vontade de mulheres como Rosanita. É um direito determinado pela Constituição Federativa do Brasil.

De acordo com o artigo 226 da Constituição Brasileira, o planejamento familiar é um direito do cidadão. Distribuição de métodos contraceptivos, palestras de educação sexual e acompanhamento médico são algumas das medidas que compõem o plano.

Em Salvador, a população participa desses projetos nos postos do Programa Saúde da Família, o PSF. O posto de saúde do bairro de Canabrava atende a população local e realiza planejamento às mulheres da região.

Vale lembrar que o planejamento familiar não busca impedir que as mulheres tenham seus filhos, mas busca evitar a gravidez indesejada, e promove assim a diminuição do número de abortos, de abandono de menores e de gravidez precoce.

“Em Canabrava, as mulheres cadastradas são consultadas pelo clínico que receita o melhor método para ela. Há a opção da camisinha, pílula, injeção e, algumas vezes, os médicos indicam a colocação do D.I.U. (Dispositivo Intra-Uterino) e de operação para estrangular as trompas”, diz a agente de saúde Canabrava Gildalia de Jesus, 32 anos.

Para o médico do posto do PSF do bairro, Jackson Roberto, 42 anos, “o planejamento familiar daria mais certo se a população tivesse consciência da importância dele. Mas enquanto as mulheres esperarem que um ginecologista venha ao posto não vai funcionar”.

Rosanita reclama da falta de materiais, da ausência de profissionais que coloquem o D.I.U, das greves e da burocracia para realizar cirurgias. “Ia estrangular, mas não pude, pois estava grávida da quinta filha, e depois ficou complicado, era muita burocracia, às vezes tinha que ir até o posto de Pau da Lima sem dinheiro para transporte, até que desisti”, comenta Rosanita.

O agente de saúde Derivaldo Matos, 41 anos, diz que às vezes faltam remédios, mas que sempre há métodos disponíveis. Ainda segundo Matos, no caso de Rosanita, de acordo com sua idade e o número de filhos que tem, seria indicada uma cirurgia de laqueadura das trompas. A Secretaria Municipal de Saúde foi procurada para comentar as queixas da população, mas ninguém quis dar entrevista.

Casos positivos
Apesar dos problemas em Canabrava, há famílias onde o planejamento familiar trouxe bons resultados. É o caso de Jéssica Medeiros, 20 anos. Após o susto de ter uma gravidez indesejada aos 17, Jéssica decidiu planejar o próximo filho, que só veio 3 anos depois.

“Engravidei da primeira filha por não tomar certo o remédio, mas da segunda decidi levar a sério. Durante três anos tomei pílula e parei, pois queria engravidar e retornei depois, mas hoje não faço mais uso dos remédios, pois fiquei viúva há alguns meses”, relata Jéssica.

Assim como Jéssica, muitas adolescentes engravidam por não se planejarem. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no Brasil, anualmente, cerca de 700 mil adolescentes engravidam. Entre as pacientes da agente de saúde Fábia Lopes, 32 anos, há cinco grávidas entre 14 e 17 anos. “Apesar disso, o número de adolescentes grávidas na região diminuiu”, afirma Fábia.

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Posted in: SAÚDE