Comunidades sofrem com a intolerância religiosa

Posted on 10/09/2008 por

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Evangélicos sofrem intolerancia religiosa na periferia
por Lais Almeida

A intolerância por parte dos próprios moradores causou sérios problemas a igreja e aos fiéis, declarou o pastor Edgar Araújo, da Igreja Pastoral Nova Aliança de Nova Brasília. Os evangélicos tem sofrido intolerancia religiosa nos bairros de Nova Brasília e Jaguaripe II, principalmete pelo fato da religião ter se expandido em diversos locais. Mas os próprios evangélicos também tem sidos intolerantes com adeptos de outras religiões.

“A religião na comunidade serve como uma libertação, pois em uma comunidade como a nossa que é muito carente, com muitas necessidades, as religiões procuram buscar mais as pessoas, mas muitos não valorizam isso”, declarou Luciana Costa, voluntária do Conselho de Moradores de Jaguaripe II (Comorja). A intolerância religiosa é o desrespeito pela crença religiosa de uma pessoa. O fato das pessoas terem a sua religião como a única verdadeira faz com que haja intolerância, pois a partir do momento que se faz esse julgamento as outras religiões são consideradas falsas e imorais e o desrespeito com o outro acontece.

De acordo com o pastor Edgar apesar de muitas pessoas da região procurarem a igreja, principalmente jovens, existem aqueles que se sentem realmente incomodados com a presença dos fieis, eles realmente não aceitam a religião. Mas o pastor também declarou que tem presenciado a interferência de muitas igrejas evangélicas na privacidade das pessoas. Ele ainda diz que todas as igrejas precisam ter uma maior fiscalização e que todas elas deveriam passar por uma educação religiosa e respeitar o direito dos outros. “Todas as igrejas precisam disso, para caminhar de mãos dadas com as pessoas da comunidade, sem agredir os direitos dos outros”, complementa o pastor.

Jucilene dos Santos, da Igreja Batista Filadélfia de Itapoan, declarou que há muito preconceito aos evangélicos, que em qualquer situação os evangélicos são os primeiros a serem vistos como culpados. Ela também declara que alguns evangélicos, assim como algumas pessoas de qualquer outra religião, também são intolerantes: “como alguns evangélicos são muito críticos, qualquer religião que seja diferente dos evangélicos é vista com preconceito”.

“É inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e suas liturgias”, é o que declara a Constituição da República Federativa do Brasil em seus artigo 5, dos Princípios Fundamentais.

Segundo o artigo 5, a pena para quem discrimina alguém por motivo de raça, cor, etnia ou religião é de um a três anos, mais multa. Sendo que a pena aumenta a metade se a discriminação tiver resultado em violência. A pena vale para o crime praticado por intermédio de meios de comunicação social ou publicação de qualquer natureza, até mesmo na rede mundial de computadores, internet, e aumentará em um terço. Correndo o risco do material publicado ser recolhido ou das transmissões radiofônicas ou televisivas serem suspensas.

Apesar da existência de uma lei que condena as pessoas que não respeitam a religião do outro, a intolerancia é tão presente na sociedade brasileira que dia 27 de dezembro de 2007 foi oficializada a data do dia 21 de janeiro como Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa.

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