A fada dos contos reais

Posted on 10/09/2008 por

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Histórias que aproximam as crianças das suas realidades
por Vivianne Ramos
foto: Lais Cavalcante

Aposentada, confeiteira, costureira, mãe de cinco filhos, avó de nove netos e contadora de histórias nas horas vagas. Essa é Aida Valtrudes da Silva, moradora do bairro da Liberdade. Com 69 anos, não gosta de contos de fadas, mas tem muitas histórias para contar. “Eu nunca li essas histórias, essas de Branca de Neve e não sei o quê… Conheço por causa de minha neta que às vezes me pede pra contar. Mas eu prefiro as que minha mãe me contava quando eu era pequena”, diz Aida sorridente.


Filha de lavadeira e tataraneta de escravos, histórias reais não faltaram para compor a infância difícil de Dona Ainda
, que largou a escola para ajudar sua mãe com os afazeres domésticos, mas não deixou escapar a doçura e ingenuidade de criança. Seus netos são os grandes responsáveis por isso: ouvem e adoram as histórias da cidadezinha interiorana de Santiago do Iguape, onde sua mãe e avó moraram e as que ela mesma vivenciou. São lendas, causos, crenças, tudo transformado em historinhas repassadas por várias gerações que fazem sempre o maior sucesso nas reuniões familiares.

Histórias reais
Por acreditar na importância das histórias na educação das crianças e na construção da personalidade, Dona Aida faz questão de trazer para a realidade atual o que aprendeu ainda pequena: “Muitas delas falam de questões de moral e costumes. A criança percebe, vê o que é errado e o que é certo. Quando estou contando alguma delas, sempre alerto pra ver o resultado daquela atitude, sempre tentando aproximar as coisas pro mundo de quem tá ouvindo, sabe?”

Aida sempre evitou o uso de contos de fadas para a educação por considerar histórias reais mais próximas da vida de cada um dos seus netos. “Uma vez Anna Clara (sua neta) ganhou um conjuntinho com todos aqueles livros de contos e me pedia pra ler, eu nunca neguei, mas sempre fiz questão de dizer que aquilo era mentira e para não imitar a Chapeuzinho ou os porquinhos”.

Eric Valtrudes, terceiro neto de Aida é, desde pequeno, o maior apreciador de suas histórias. “Eu me sinto fazendo parte das histórias que ela conta. Fico com ela na varanda ouvindo suas histórias, lembranças e conselhos. Espero que meus filhos tenham essa mesma paciência, pois pretendo repassar tudo pra eles”, conta orgulhoso.

Dona Aida, apesar de não gostar tanto dos contos de fadas, parece mesmo ter saltado de um livro. Carismática e alto astral, não mede esforços para agradar seus netos e adora dançar arrocha. “Tenho vontade de transformá-la em um livro”, completa Eric.

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Posted in: ZOADA