Salvador: 459 anos de injustiças sociais

Posted on 03/06/2008 por

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Por Erick Issa e Luide Farias

No dia 29 de março de 2008, a capital baiana completou 459 anos. Desde que Tomé de Sousa chegou ao porto da Barra, em 1549, para fundar a bela Salvador, a cidade passou por variados processos, desde a escravidão até a urbanização. Apesar de toda transformação à qual Salvador foi submetida, parecemos estar fadados às desigualdades e misérias sociais.

Tais transformações segregam-se em pequenas parcelas do território soteropolitano. No entanto, Salvador é feita de toda gente, e não de minoria.

Como conseqüência, de primeira capital do país, Salvador, ostenta hoje outro rótulo: o de campeã nacional do desemprego. Para chegar ao fundo do poço, dados divulgados pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), em março de 2008, revela que na Região Metropolitana de Salvador há cerca de 388 mil desempregados, o que assola 20,9% da população economicamente ativa (PEA).

Além de todos os títulos citados remetidos à cidade, Salvador ainda continua sendo a capital mais antiga do país. Título esse que, por nenhuma força, será reclamado por outra cidade. Esta afirmativa talvez explique o cômodo ócio de antigos e atuais administradores da bela cidade que prometem, mas nunca conseguem reduzir a taxa de desemprego na capital, dando pouco, ou nenhuma, importância ao caso.

Para completar, este ano tem eleição e mais uma vez estará afixado o trampolim político. Propostas serão elaboradas, explanadas e saltadas para um banho caloroso da fé inabalável dos baianos de que isso aqui tem solução. Sim, “isso aqui”. Mas cabe ao eleitor/leitor acreditar, ou não, mais uma vez nas promessas que nunca vingaram.

Sob as máximas “a esperança é a última que morre” e “brasileiro não desiste nunca”, desempregados todos os dias acordam com a expectativa de conseguir um bom ofício. Se o sistema não for revisto, a vez da esperança, que é a última, chegará.

Quem sabe o desemprego e a miséria sejam fatores que levem ao crescente índice de violência na capital baiana. Sim, pois não adianta trabalhar oito horas por dia ganhando um salário mínimo, enquanto estorquir, trambicar, furtar ou traficar é uma ocupação mais lucrativa, sem alienação ou mais-valia.

O que vamos fazer para mudar a realidade? A resposta deveria estar com os governantes, mas é incrível que todos se isentem da culpa pelo título do desemprego. A cada quatro anos muda o prefeito. O que não muda é a agressão psicológica, moral e social enfrentada pela população.

Enquanto os governantes discutem de quem é a culpa pelo alto índice de desemprego, a violência e a miséria aumentam. Não obstante, os administradores dessa cidade ainda hão de dizer que Tomé de Sousa é o culpado. “Foi ele quem começou, o safado”, argüirão. “Maldita bola de neve”, outro reforçará.

Dentre toda esta questão, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou pesquisa informado que o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil cresceu 5,4% em 2007. Ao que parece o país vem crescendo mais do que nos últimos anos, mas Salvador não consegue acompanhar o ritmo de crescimento.

A cada pesquisa divulgada sobre o desemprego, a capital baiana bate recorde. É a atriz principal. E a cortina ainda nem foi aberta.

Por hora, vamos sonhar com dias melhores. Vamos acreditar que a taxa de desemprego irá cair, que o preconceito irá acabar na cidade de maior população negra do país, e que as promessas de eleição serão cumpridas. Assim teremos a certeza de que Salvador não mais será a campeã do desemprego, nem da miséria, muito menos das desigualdades e injustiças sociais.

Neste dia poderemos com orgulho acordar nas manhãs de 29 de Março e dizer: Parabéns Salvador! Tenho orgulho de você!

Enquanto tal sonho não se torna realidade, continuemos vivendo o amargo e real pesadelo que nos dá a certeza de que nada temos a comemorar pela passagem dos 459 anos da cansada Salvador.

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Posted in: CRÔNICAS