Orkut é febre em Canabrava

Posted on 03/06/2008 por

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Rede de relacionamentos vira epidemia entre os jovens do bairro e trás à tona questões sociais
por Laís Buri

Idosos, adultos, jovens ou crianças, pouco importa, o Orkut (www.orkut.com) tornou-se febre nacional sem distinção de idade e classe social, e em Canabrava não foi diferente. Nas quatro lan houses espalhadas pela comunidade o acesso ao orkut é intenso. “Os meninos vêm aqui pra ficar no MSN, mas principalmente no orkut, os trabalhos da escola ficam em segundo plano”, conta o dono de lan house, Cleidivan da Fonseca.

Em Canabrava, como comprovam as estatísticas do site “Hlera” (www.hlera.com.br), são os jovens quem mais acessam o orkut. Segundo o morador e agente comunitário de saúde, Derivaldo Matos essa realidade se dá porque os adultos não sabem mexer com o computador. “As crianças aqui sabem tudo de computador, elas que ensinam aos pais como mexer. E o orkut é uma febre entre eles, a maioria tem”, conta. Estudante da 6ª série, Lucas Costa afirma “Eu olho meu orkut todos os dias para mandar recados, ver os que enviaram para mim e colocar fotos”.

Navegando pela rede encontram-se comunidades específicas sobre Canabrava como: Bicho da Cana – grupo cultural, Odeio o transporte de Canabrava, e Somos do bairro de Canabrava com 261 membros, onde são discutidas questões sociais e as possíveis ações para promover melhorias na comunidade.

Orkut sem lei
Apesar de ser proibido o acesso de menores de 18 anos nessa rede social, as crianças e adolescentes correspondem à grande parte de todos os usuários do Brasil. Comunidades como eu nasci em 1996 e Tenho 12 anos, vai encarar?, comprovam a presença desses membros ilegais.

O orkut funciona como uma central de relacionamentos ou até mesmo de contatos profissionais. Mas muitas vezes pode fugir desse objetivo devido à falta de autenticidade das informações e vigilância por parte dos seus organizadores.

Diante dessa realidade muitas pessoas se passam por outras, além de assuntos delicados como pedofilia e racismo serem tratados com naturalidade. Por isso, o orkut, uma comunidade aparentemente inofensiva, tornou-se um ambiente perigoso.

Segundo Rita Santana, dona de lan house em Canabrava, os pais se preocupam com o acesso de seus filhos na internet, e fiscalizam o conteúdo da navegação. “Os sites pornográficos já eram proibidos, mas tive que suspender os jogos de luta também porque os pais vinham aqui reclamar”, explica.

Apesar do acompanhamento de alguns pais essa atitude não é comum. Derivaldo Matos, pai de uma criança de 12 anos não bloqueia nenhum site. “No orkut meu filho só conversa mesmo com os amigos. Ele tem uma cabeça boa para essas coisas. Eu confio nele”, conta.

A recomendação é não divulgar dados pessoais como telefone, endereço, email e muito menos expor a intimidade através de fotos e vídeos. E também fiscalizar o uso por crianças e adolescentes, o que pede uma fiscalização rigorosa por parte dos pais. “Os pais têm que acompanhar de perto o passeio virtual de seus filhos, mas como é impossível manter essa fiscalização de forma permanente é de extrema importância o diálogo entre eles para que os menores identifiquem os perigos que estão sendo expostos, e as posturas que devem manter”, explica a psicóloga Carolina Magalhães.

Orkut
Criado em 24 de janeiro de 2004, o orkut, que carrega o nome do seu criador Orkut Büyükkokten, é uma comunidade on–line que conecta pessoas através de uma rede de amigos. Seu objetivo é promover um espaço para que as pessoas façam novos amigos, reencontrem antigos e se conectem com outros membros de mesmos interesses e hábitos.

Segundo dados do site “Hlera”(www.hlera.com.br) o orkut é a rede social com maior participação de brasileiros, o que representa mais de 50% dos usuários. Os jovens estão em maior número com aproximadamente 60%, e os adultos correspondem a 11% dos membros que utilizam o orkut para se relacionar. A utilização dessa comunidade on-line é proibida para menores de 18 anos, mas colocando idades incorretas podem acessar a rede, e eles representam boa parte dos membros assíduos.

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Posted in: CULTURA