Candomblé sofre intolerância religiosa

Posted on 03/06/2008 por

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Sacerdote do candomblé Mokambo, fala sobre o assunto
por Marcos Gouveia

Segundo dados da ONU, de março de 2007, em diferentes partes do mundo assiste-se ao crescimento da intolerância religiosa, fenômeno que motivou a Resolução 2003/54 da Comissão de Direitos Humanos das Nações Unidas. No parágrafo 5º sublinha que as restrições à liberdade de professar religião ou crença só são permitidas se previstas em lei e necessárias para proteger a segurança, a ordem, a saúde, a moral pública e os direitos e liberdades fundamentais. E se aplicadas de modo que não restrinjam o direito à liberdade de pensamento, consciência e religião. Para falar sobre esse assunto o Fala Comunidade, entrevistou, Tata Dya Nkisi Minatojy, sacerdote do Terreiro Mokambo, localizado na Vila 2 de julho, no bairro Trobogy, mais conhecido como Anselmo José da Gama Santos.

FC – Anselmo, na sua opinião, o que é intolerância religiosa?
Anselmo – Nós praticamos a intolerância durante toda hora da nossa vida. A gente encontra intolerância de tudo quanto é jeito. Mas a intolerância religiosa de um modo específico e principalmente em relação ao Candomblé, é por ter vindo do povo negro.

FC – De que maneira o Candomblé combate a intolerância religiosa?
Anselmo – A gente ensina o contrário, a gente ensina que o diferente não é seu inimigo, é apenas diferente. Então, você tem que respeitar ele dentro da diversidade dele, pra que ele possa respeitar você.

FC – Na sua opinião, por que o candomblé sofre preconceitos?
Anselmo – Porque seus adeptos vem de uma cultura de não valorização. O africano foi muito resistente, apesar de toda a difilcudade, toda a incompreensão, de tudo que eles sofreram, eles conseguiram guardar a semente da sensualidade e principalmente, a sememente religiosa e cultural que eles trouxeram, e manter viva até os dias de hoje.

FC – Você atribui a intolerância das demais religiões a falta de conhecimento do que realmente é o candomblé?
Anselmo – Sim. Existe todo um processo de desinformação que resulta no racismo, preconceito, intolerância, tudo junto, e aí a gente vai vencendo uma coisa por vez. E como eu disse pra você, o candomblé é uma religião comunitária, esse sentido de união vem até do próprio sistema escravatista.

FC – Você, como sacerdote do candomblé, respeita as demais religiões?
Anselmo – Sim. Eu tenho 32 anos, vou fazer 33 de iniciado no Candomblé. Então, o que você quiser saber de Candomblé, estando ao meu alcance, eu vou dizer. Mas, com o Candomblé, as pessoas se acham no direito de falar qualquer coisa, que é do demônio, eu acho ridículo isso. Antes eu ficava até ofendido com essas coisas, porque existe a sensação de raiva quando você vê que não é. No Candomblé, o Cristo tem 2007 anos. O Candomblé tem mais de 10 mil anos.

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