Saúde em Daniel Gomes é precária

Posted on 27/05/2008 por

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Comunidade sofre por falta de serviço de qualidade e busca atendimento longe 

por Lana Oliveira

A comunidade de Daniel Gomes, localizada no Bairro de Jardim Nova Esperança, é uma das áreas da Estrada Velha do Aeroporto (EVA) que mais sofre com a falta de assistência adequada de serviços médicos. Segundo a agente de saúde da comunidade, Vera Lúcia Borges, a maior preocupação dos moradores é a falta de um Posto voltado para a saúde da Família (PSF), seguido da necessidade de mais agentes para atender a demanda das 793 famílias que residem na comunidade.

De acordo com o Coordenador de Assistência do Setor de Capacitação do PSF, na Secretaria de Saúde, João Cavalcanti, os postos PSF desenvolvem um sistema de atenção básica para a região onde se localiza, e devem oferecer uma equipe com seis agentes de saúde para atender pelo menos 1000 famílias. Vera Lúcia afirma que realiza sozinha o trabalho que deveria ser feito por uma equipe. Ela prepara relatórios e fichas de cada família, realiza o acompanhamento de idosos, de crianças, e da vacinação na comunidade. “Nossa área possui 793 famílias. Seis agentes seriam necessários para se fazer uma boa cobertura, reduzir a taxa de natalidade, e acabar com a tuberculose”, diz Vera, que também é líder comunitária de Daniel Gomes.

Vera trabalha 40 horas semanais, atendendo a 10 famílias por dia, sem contar com os imprevistos que surgem, e afirma ver a saúde em sua comunidade piorar. “Há casos de pessoas internadas por passar fome, e outras por causa da tuberculose. Não há assistência médica, e se não abrirmos os olhos a tuberculose avançará pela nossa área”, declarou. Nas visitas da agente, hipertensão e diabetes são as doenças observadas com mais freqüência.

Reclamações e dúvidas – Moradores de Daniel Gomes contam que há dois anos esperam pelo Posto PSF integrado á rede de Sistema de Atendimento Móvel (SAMU). Segundo Vera, a Companhia de Desenvolvimento Urbano do Estado da Bahia (CONDER) assinou um termo de comodata, junto ao Orçamento Participativo, garantindo a construção desse posto em Jardim Nova Esperança, desde 2003. Segundo Suza Machado, assessora de comunicação da CONDER, a Companhia está construindo 11 postos PSF em convênio com a Prefeitura Municipal de Salvador. Entre eles, dois foram entregues, e o posto em Novo Marotinho, que atenderá a comunidade de Daniel Gomes, está em fase de construção. Entretanto, o Coordenador de Assistência da Secretaria, João Cavalcanti, afirma desconhecer o projeto para a comunidade da EVA. “Não há nada a respeito para essa localidade, mas estamos com um projeto de expansão para aumentar esse atendimento em até 50%, já que ainda há uma cobertura baixa em relação aos postos PSF em Salvador”, explica.

O posto mais próximo da comunidade de Daniel Gomes é a antiga unidade de Novo Marotinho. Segundo Vera, há um ano a estufa de esterilização está quebrada, além de não existir um médico clínico para a comunidade. “Com a falta de condição para atendimento na localidade mais próxima, os moradores de Daniel Gomes seguiam sempre para outros hospitais. O são Rafael fechou as portas para a comunidade carente. Já o Hospital Irmã Dulce encontra-se lotado”, explicou Vera Lúcia.

Antônia dos Santos, 55 anos, moradora do local, acha que a saúde na comunidade não obtém melhoras há muito tempo. “A saúde por aqui está péssima. Em todo lugar que vou não tem médicos, vejo gente morrer por falta de atendimento”, revela. Outra moradora, Cidinéia de Souza, 25 anos, fala da necessidade de ter um posto médico mais próximo para atender a sua filha, Mônica, que nasceu com uma deficiência chamada fenda palatina. “Sinto falta de uma emergência mais perto da minha casa do que a que sempre vou em São Marcos. Muitas vezes falta dinheiro para pegar transporte”, comenta a dona de casa.

Posto só em Novo Marotinho
por Lorena Nascimento Souza

Novo Marotinho tem um único posto de saúde que atualmente atende o bairro e adjacências, incluindo Daniel Gomes. O local, que conta com o atendimento do PSF, tem 2 agentes de saúde para um total de 500 famílias divididas em duas áreas.

Segundo dados do próprio posto, disponibilizados pela agente de saúde Vera Lúcia Borges, o atendimento anual chega a 9.000 pessoas. O posto vêm passando por muitas privações. Há uma dentista para atender a população, mas os equipamentos estão quebrados, e por isso, a único serviço prestado é a aplicação de flúor na população. Para fazer os procedimentos médicos é necessário mandar os materiais serem esterilizados no distrito de Pau da Lima, responsável pelo posto. Não há médico clínico nem ginecologista ou fisioterapeuta.

Outro posto que a população pode contar é o de Sete de Abril, o único que ainda tem prestado atendimento, apesar das mudanças repentinas de médicos. “Quando você pensa que está sendo acompanhada por um clínico ou um ginecologista, eles mudam o médico de lugar”, diz Vera.

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Posted in: SAÚDE