Corte, costura, carretel e pano

Posted on 22/05/2008 por

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Com linha e agulha, costureira de Canabrava faz a moda do bairro

por Lise Oliveira

Bem que muitos estilistas gostariam de saber. A costureira Virgínia Lopes dos Santos manipula no ateliê que montou em casa, no bairro de Canabrava, dez máquinas de costura diferentes. E vai mais além: pretende um dia ter uma loja de confecções.

Em dois cômodos de sua pequena casa, Virgínia reservou o espaço ideal para abrigar, além das dez máquinas, carretéis de linha de diversas cores e muitos tipos de tecidos.

Moradora de Canabrava há 24 anos, ela não se limita apenas à região. Os modelitos produzidos que produz são vestidos por moradores de Vales dos Lagos, Paralela Park, e Nova Cidade. A costureira conta que aprendeu o ofício sozinha, teve apenas a ajuda da falecida tia, também costureira. “Eu trabalhava na rua em dois outros ateliês e duas fábricas. Daí fui comprando as coisas devagarzinho e já tenho meu próprio ateliê há oito anos”, conta orgulhosa. Com seis filhos, Virgínia é auxiliada pela caçula Denise, de 21 anos, e pela irmã, Antônia, que dá uma força sempre que necessário.

Ela faz de tudo, desde bainha de calça até vestido de noiva. “Já fiz três vestidos de noiva, mas não fui ao casamento apesar de ter recebido o convite”, explica a profissional.

Habilidade mesmo Virgínia tem para confeccionar roupas para os bem gordinhos e bem magrinhos. A dificuldade que esse público tem em adquirir modelos adequados fez de Virgínia expert em compor vestes ideais.

Além dos clientes fixos que Virgínia já garantiu em mais de dez anos, ela também costura para outras empresas. “Trabalho muito com consertos como colocar zíper, apertar, folgar, reformar e ainda presto serviços a três empresas”, explica. Virgínia senta à máquina às 8h e só sai às 17h. “A gente tem que adorar só a Deus, mas eu adoro o que faço”.

Com preços bem acessíveis, Virgínia faz todo tipo de roupa. Por R$ 25, ela constrói um vestido, por R$ 15, ela faz uma calça, seja de Oxford ou algodão, cobra R$ 3 por um conserto, R$ 12 para fazer uma blusa e R$ 25 para criar um jaleco. Todo esse trabalho rende a costureira, em média, R$ 800 por mês, com os quais sustenta a casa, onde mora com sua caçula e um neto.

Garantias

De acordo com estimativas do Sindicato da Indústria do Vestuário de Salvador e Região, mais de 50% dos 16 mil postos de trabalhos diretos no ramo de moda são ocupados por costureiras e auxiliares de costura.

Um exemplo vivo da importante atuação das profissionais a cooperativa de costureiras do bairro de Plataforma, a Cooperconfec, que, há três anos, reúne 25 costureiras, capacitadas pela parceria Senai-Senac (http://www.ba.senac.br/) e que operam 40 máquinas de costura.

As costureiras são mais numerosas, mas o mercado de moda é o que mais tem crescido no estado. De acordo com a coordenadora pedagógica da área de moda do Serviço nacional de aprendizagem comercial, o SENAC, existia uma lacuna no mercado baiano nessa área de formação.

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