Abrigo em Sete de Abril ajuda crianças carentes

Posted on 15/01/2008 por

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por Alanna Sampaio

A Fundação Instituto São Geraldo está completando 61 anos de ajuda a crianças e adolescentes carentes, oferecendo atividades de recreação, esporte, artesanato, música, teatro, reforço escolar e alimentar e aulas de italiano. Atendendo mais de 400 e abrigando 35, o instituto proporciona a essas crianças a esperança de terem uma vida melhor.

Criada nos anos 40 por Edmundo Almeida, ex-investigador da polícia civil, e adquirindo personalidade jurídica em 1946, o abrigo localizado inicialmente no bairro de São Lázaro, passando para Sete Portas e finalmente se instalando em Sete de Abril, conta com quase 30 funcionários, fazendo um acompanhamento diário dos abrigados, praticando um papel real de família.

As crianças que moram no abrigo saem no período da manhã para a escola, geralmente em outros bairros como Castelo Branco, retornando no período oposto para praticarem uma jornada ampliada de atividades esportivas e aulas de artesanato e italiano, pelo menos três vezes na semana. As que moram na comunidade, vão ao instituto participar das atividades e ainda têm aulas de reforço escolar, gratuitamente.

Com um sistema personalizado de casas-lares, a fundação tem um gasto mensal de aproximadamente R$ 900,00 por criança. Apesar de ter diversas parcerias com outras ONGS e uma ajuda, não muito constante do governo, ela passa por dificuldade. Segundo a irmã Isabel Maria Reis, diretora geral da fundação, “não podemos viver apenas da ajuda das pessoas que se dedicam a vida inteira a isso. Nós precisamos do respaldo da sociedade”.

A única ajuda que realmente está presente todos os meses é a de uma empresa italiana, a Agatha Esmeralda, que trabalha com um sistema de adoção à distância. Com um trabalho conjunto, São Geraldo tem mais de 100 crianças adotadas. Até hoje, a fundação luta para formar uma rede de abrigos em Salvador, e conseguir um maior financiamento público para poder ajudar ainda mais crianças, já que ela não conta com trabalho voluntário da comunidade.

A instituição também ganha roupas, brinquedos, bolsas, sapatos usados e fraldas descartáveis de doações de comunidades que têm condições financeiras melhores. Com esses donativos eles fazem bazares para a redondeza, conseguindo uma renda extra para ajudar nas despesas como transporte das crianças para a escola, para o médico, material de aprendizagem, de música, de esporte e de artesanato.

Na fundação também tem vários casos de internos que chegaram jovens e saíram adultos, como é o caso de Rosemeire Campos, monitora. Ela cresceu no abrigo fazendo as mesmas atividades, saiu se profissionalizou e hoje ensina o que aprendeu. Também tem casos de outros que saíram pro “mundo” e hoje têm emprego fixo e ensino superior mas, a moradia ainda é financiada pelo São Geraldo.

Para Jorge Lucas, 13 anos, “a fundação é uma família que eu não tive. Um pai e uma mãe que não tive”. O grande sonho, não só dele mas, das Irmãs Medianeiras da Paz, dos internos e externos e dos professores, é de que todos possam ter uma vida digna, feliz, que aprendam o significado de família e que tenham um futuro promissor, como “ ser médico”, suspira ele.

As crianças chegam à Fundação através do conselho tutelar do estado e ali encontram um lar, um lugar que possam não apenas se abrigar ou uma escola para aprender. É um espaço de integração social. A finalidade da instituição é acolher essas crianças, dar-lhes um lar, até que possam conseguir uma nova família ou voltar para sua, já que muitas delas possuem uma, mas são abandonadas.

Elas podem até demonstrar carência e abandono mas, o que encontramos na Fundação São Geraldo, são crianças com largos sorrisos nos rostos e um ar de grande felicidade, união, afeto e cumplicidade.

(dezembro de 2007)

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