Velocidade à todo gás

Posted on 28/11/2007 por

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por Daiane Sales

Meninos de Jardim Nova Esperança aceleram no skate

Força de vontade, equilíbrio e muitos ferimentos. Essas são algumas das características de quem usa as ruas e o calor do asfalto para poder praticar skate. Em cima de um shape (tábua de madeira revestida com uma lixa) com quatro rodinhas e no fervor da adrenalina, os skatistas de Jardim Nova Esperança vão se esquivando dos hematomas e, também, da falta de patrocínio.

Um dos nossos personagens é Magno da Silva Santana, ou Latex, como gosta de ser chamado. O jovem de 18 anos, estudante do 2º grau, pratica o esporte desde os 14 e conta um pouco como é andar de skate. “Eu gosto de coisa radical, de adrenalina, e skate é demais. Você sente uma vibração quando acerta uma manobra. Você fica com um friozinho na barriga pra tentar arriscar. É uma emoção grande”, comenta.

No skate não há regras. Qualquer tipo de pessoa pode aprender a andar, basta ter um pouco de criatividade na hora de tirar ou mesmo inventar as manobras. Para começar, o ideal é conseguir tirar um Ollie na base, já que ele é o ponto de largada para as pessoas que têm sede em avançar nas manobras.   Além de pulsos acelerados e corações batendo a mais de mil, há também os riscos que o corpo sofre. E haja cicatriz: “Você pode quebrar braço, perna, calcanhar; o meu mesmo é barriado (ruim) um pouco, não posso nem tomar porrada. Você pode partir a cabeça, descendo mini-ramp, tirando flip em corrimão, pode acontecer vários riscos. Já deixei a mão enfaixada, de cair e desmentir a mão, já meti as costas no corrimão”, explica Latex.

Mas é possível escapar destes e de muitos outros acidentes. Basta usar os diversos equipamentos de segurança apropriados para o esporte: capacete, cotoveleira, joelheira e as luvas; além do tênis, chamado pelos skatistas de But. O calçado é apropriado para andar em cima do “carrinho”. Porém, a maioria dos skatistas, principalmente os amadores, não usa nenhum deles. Latex fala o porquê: “Quando eu comecei a andar, foi sem mesmo. Já até me acostumei com as quedas, nem ligo”.

Patrocínio
Latex fala que não tem apoio nenhum no skate e expressa a importância do reconhecimento em relação ao esporte. “Eu penso que os patrocinadores deveriam rever melhor e ver que o skate também é um esporte principal, fundamental; que várias pessoas deviam praticar e ajudar aí, apoiar [o skate] a ir pra frente”, revela. Outro problema é a falta de dinheiro para manter os “carrinhos”. Em média, um com as peças usadas custa em torno de R$ 100. Já os novos custam R$ 250, dependendo do modelo das peças e suas marcas.

Apesar de não ser um esporte valorizado, em Salvador há um baiano que não se deixou intimidar pelas dificuldades. Seu nome é Thiago Amorim. O jovem skatista compete em nível profissional. O rapaz tem muito troféu para guardar: já foi campeão sergipano, vice-campeão pernambucano e duas vezes 4° colocado no nordestino amador; ou seja, não “vacila” na hora de mostrar que é bom. Por isso, ele fala com firmeza: “É um esporte com uma identidade diferente e que dá uma sensação de liberdade. Minha identidade e meu ciclo de amizades foram conquistados no meio do esporte”, comenta.

Conselho
“Não desistir, ser sempre humilde, pisar no chão e nunca pisar em ninguém para alcançar seus objetivos”. É com essas palavras que o skatista José de Jesus Santos, 19, mais conhecido como Simek incentiva outros praticantes a investir no esporte. Amigo de Látex, Simek já foi skatista e revela um pouco dele como skatista e como pessoa: “Como skatista, ele anda bem. Eu gosto das manobras dele, gosto do jeito que ele anda e a sinceridade, a humildade que ele tem”.

Um rapaz super “na dele”, mas centrado é Eduardo Juan da Cruz, ou Saga. Estudante de 17 anos, ele também é skatista de Jardim Nova Esperança e fala da importância do skate para a sua vida. “O skate pra mim é vida, é tudo. Quando estou estressado, eu vou andar aí passa [o estresse], quando eu ando de skate me sinto melhor”. Saga ainda complementa: “Qualquer pessoa pode aprender a andar. Com o tempo você vai superando esse seu medo e anda normalmente, como todos os outros. Pode se jogar aí que é muito bom; você vai e não quer mais sair. É o melhor esporte pra mim que existe”, afirma.

Latex também pretende se tornar um skatista profissional: “É meu sonho, você ser um skatista profissional, ser conhecido, valorizado e é por isso que a gente anda, para cada vez mais evoluir, tentar participar de campeonatos, pra ver se consegue ir em frente”. E o sonho não pára: “Que eu possa sempre continuar andando, correndo atrás, isso é muito importante; e mostrar pros outros que o skate, acima de tudo, pode ser um esporte de risco, mas é um esporte bom, é um esporte que vale à pena”.

(novembro de 2007)  

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