Os riscos de usar remédio por conta própria

Posted on 28/11/2007 por

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por Uilton Conceição
itousc@yahoo.com.br

É cada vez mais comum encontrar medicamentos armazenados em casa. Os analgésicos e antitérmicos são os principais alvos da automedicação em casos de emergência, pois prometem aliviar de imediato o mal-estar. O que muitas pessoas desconhecem é que essas drogas quando são tomadas por conta própria, sem orientação dada pelos médicos e supervisão de farmacêuticos, podem provocar sérios riscos à saúde. Segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias Farmacêuticas (Abfarma), cerca de 20 mil pessoas morrem no país vítimas da automedicação.

Para Mônica de Jesus Oliveira, 24 anos, moradora de Cajazeiras e auxiliar administrativa do posto de saúde de Novo Marotinho, a experiência de ter se automedicado quase lhe custou a vida. Ela passou mal depois de tomar sulfametazol e trimetropina, substâncias encontradas no Bactrim, um antibiótico, e precisou ir a uma emergência médica. Ela relata que já tomava o remédio desde pequena: “Tomei o sulfa. Como sempre tomei, desde pequena, não percebi que tive reação. Voltei a tomar de novo, aí tive reação”, explicou. Ela conta que placas vermelhas, olho roxo e um tipo de bolha de sangue nas mãos se formaram pelo corpo: “Fui para um posto de saúde, o médico me avisou que a partir daquele dia eu não poderia mais tomar Bactrim e mais nenhum sem receita e hoje não faço mais isso”.

A dificuldade para ter acesso a uma avaliação médica e falta de farmacêuticos nas farmácias são outros fatores contribuem para que as pessoas tomem a iniciativa de tomar remédio por conta própria. Dona Maria José, de 63 anos, vendedora de doces e salgados, moradora do Novo Marotinho afirma ter tomado medicamento sem prescrição médica e alega não sentir nenhuma reação contrária ao efeito desejado. Ela explica de que forma conseguiu a droga: “Foi o rapaz que me indicou o nome desse remédio e me dei bem”. Mas nem todos têm a mesma sorte. Segundo Dona Maria, uma pessoa já morreu no bairro vítima da automedicação: “Ele estava se sentindo mal, disse que estava com dengue, tomou o remédio e morreu”.

Segundo Simone de Oliveira Cidreira, 29 anos, vacinadora canina do posto de saúde do Novo Marotinho, a dificuldade em conseguir atendimento médico facilita a automedicação. “Meu marido estava com o dente inflamado. Hoje, você não acha mais em postos atendimento para dentista. Eu peguei e disse: ‘Toma um antiflamatório aí para ver se diminui a dor’”, concluiu.  

Riscos
No Brasil, a prática de ingerir remédios por conta própria é estimulada pela facilidade de adquirir os remédios, que são vendidos livremente em farmácias e outros estabelecimentos. “A gente tem uma facilidade muito grande de ter esses medicamentos hoje em dia. Em farmácia você encontra uma disponibilidade muito grande”, comentou o infectologista Gustavo Mustafa, gerente de risco do Projeto Hospitais Sentinela, da ANVISA, e toxicologista do Centro de Informação Antiveneno (CIAVE), localizado no Hospital Roberto Santos. “A forma que se vê farmácia aqui no Brasil é muito diferente de outros lugares. Aqui é vista quase como um supermercado onde as pessoas têm os produtos lá disponíveis e qualquer pessoa pode pegar e escolher ali sem orientação”, acrescentou Mustafa.

Em caso de Intoxicação, o Centro de informação Antiveneno (CIAVE) disponibiliza uma central de atendimento telefônica 24h através do número 0800 2844343 que está à disposição da população.  

 Mustafa reforça que a propaganda dos laboratórios acaba sendo um canal de vício para pessoas que se medicam por conta própria: “Essa propaganda vende produtos como se fossem milagrosos quando na verdade esses produtos têm uma certa limitação e a questão não tem nenhuma restrição então a pessoa usa e leva para suas casas e usa como quer”,justificou Mustafa.  

(novembro de 2007)

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