Basquete na rua

Posted on 27/11/2007 por

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por Alex Jordan

Na Rua João Alberto, no bairro de Jardim Nova Esperança, próximo ao final de linha, aos domingos, das 16h às 19h, uma turma com 15 pessoas se reúne para a prática do basquete. O esporte garante o lazer dos jovens que não dispõe de muitas fontes de divertimento no lugar. O local não é o indicado para a prática deste esporte. A bola logo se desgasta devido à ação do asfalto. O risco de se machucar é grande, mas foi a melhor alternativa encontrada para não deixarem de jogar o basquete.


No início, eles se reuniam para jogar na escola, mas a tabela (local que fixa a cesta) quebrou. Decidiram pedir ajuda a diretora e inconformados com a demora, criaram sua própria tabela ”Um dia saímos atrás de um barrote, emendamos dois barrotes, deixamos no tamanho, pegamos as tábuas, colocamos os parafusos e fizemos o aro”, conta o músico Israel Santos Silva.A turma furou a pista para firmar a tabela no chão. Precisavam de uma rua de pouco movimento, e a escolhida foi a João Alberto, que há quase um ano tornou-se o local onde ocorre o basquete Street.

A ida do esporte para a rua atraiu mais pessoas para esta prática esportiva. As regras mudaram, já que, onde jogam só contam com uma única cesta. De basquete de quadra passaram a jogar Street, derivação do basquete onde os dois times têm que pontuar no mesmo aro, além do número menor de regras em relação à condução da bola, deixando o esporte mais dinâmico.

A iniciativa de levar esta atividade para as ruas Incentivou moradores de outros bairros a fazerem o mesmo gerando convites para disputa entre bairros. Os convites possibilitaram que o basquete Street rompesse os limites do bairro de Jardim Nova Esperança e a prática do esporte se fortaleceu. Já ocorreu pequenos torneios em lugares como Vilas do Atlântico e Pirajá. Assim que o basquete ganhou as ruas, os atletas para distrair as pessoas que estavam de fora, colocaram um carro com música que garantia a diversão de todos, e às vezes, os integrantes fazem disputas onde quem perde paga a conta, aumentando a competição.

Espaço para todos
Se engana quem pensa que apenas os homens jogam o Street em Jardim Nova Esperança. A estudante Jéssica Barbosa dos Santos, que acompanha os jogos algumas vezes, se arriscou a praticá-lo, e conta empolgada: “Eu já joguei, já acertei seis pontos. Achei bom, excelente. Os caras daqui são super gente fina, não tem esse negócio de ficar de canto, todo mundo que quiser jogar joga, até eu mesmo que não sei jogar”. Jessica diz que não é a única menina que joga basquete, mas é a que mais acompanha os jogos nos domingos.

Mudanças
O basquete proporcionou alterações na vida de dois jovens. O estudante R.S.R.S confessa que se identificava com o estilo dos cantores de rap. Viu que a turma tinha o mesmo estilo, e resolveu se juntar a eles. Para ele, o basquete foi muito além de um passatempo: ”Tô conseguindo sair das drogas através do basquete, estou gostando”, afirma Rafael que além de afastá-lo das drogas, o basquete ainda trouxe novas amizades, já que antes andava apenas com os primos.

O estudante Iure Nascimento Bonfim contou com uma ajuda do basquete para que sua vida passasse por transformações: “Eu deixei de ficar somente em casa. Ganhei condicionamento físico. Perdi peso”. O interesse de Iure surgiu há um ano ao ver amigos jogando basquete e decidiu praticar o basquete na rua. Deixou o popular baba de lado para se juntar a turma do Street.

Durante a semana, a tabela fica guardada em uma rua estreita e sem asfalto só esperando o dia em que deixe de ser apenas madeiras para se tornar o principal motivo de diversão de um grupo de jovens que usaram da criatividade, para ter o seu direito de lazer assegurado.

(outubro de 2007)

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