Artesãos: renda e criatividade

Posted on 31/10/2007 por

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por Mayanna Miranda

Arames, algodões, miçangas, nylon, linhas, agulhas e muita criatividade. É assim que se inicia a produção de objetos artesanais. Em Canabrava, a utilização do tempo vago e do talento rende bons trocados ao final do mês, além da satisfação pessoal do artista e da clientela.

O artesanato e o artesão são encontrados em qualquer lugar. Eles estão nas feiras livres, nos museus, nas galerias, mercados, oficinas artesanais ou até mesmo dentro de suas próprias casas, como acontece em Canabrava. Com muita imaginação, força de vontade e revistas como fonte de inspiração, Rita de Cássia Barroso, 48 anos, produz arranjos de flores há quase quatro anos para presentear amigos e familiares. Com apenas alguns pedaços de arame, papéis, meias, pestilho (semente de goma) e algodão, ela produz em dois dias um enorme arranjo de flores.

O dom e a paciência para fazer algo bonito e que agrade a todos fez com que o seu trabalho crescesse com a solicitação de encomendas para produção de arranjos de casamentos e aniversários. A média de preço do seu produto é de R$15 a R$30 e, por enquanto, é vendido apenas dentro da comunidade.

O artesão é capaz de transformar uma coisa simples em algo inovador. Foi exatamente isso que Luciene Matos, 31 anos, fez. Com uma simples sandália de borracha e algumas miçangas coloridas, ela conquistou a sua clientela fazendo bordados nas famosas havaianas do pessoal de Canabrava.

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Luciene aprendeu a bordar bolsas e sandálias com uma prima e diz que as revistas e a televisão ajudam na criatividade para satisfazer os seus clientes, afinal, são eles os principais responsáveis por divulgar o seu trabalho. “A propaganda boca a boca é o melhor negócio”, conta Luciene, explicando como seu trabalho ficou conhecido no seu bairro.

Hoje, ela recebe encomendas de lojas dos bairros da Barra, Pituba, Comércio, além de ser voluntária do Projeto Escola Aberta, aos sábados, onde ensina a criançada a colorir suas próprias sandálias.

Arte e modernidade
Outra forma de trabalho manual encontrado em Canabrava é o moderno biscuit. Feito de amido de milho, vaselina e cola branca (principal ingrediente), os enfeites para casa e lembrancinhas diversas são os principais frutos do trabalho de Manuela de Jesus, 25 anos. Com ajuda de revistas, ela se diverte preparando chaveiros, brindes para aniversários e enfeites para serem vendidos em diversos lugares.

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Como sempre gostou de artesanato, Manuela conta que há três anos resolveu tomar um curso de biscuit com a intenção de unir o gosto pela arte à necessidade de ganhar dinheiro. Segundo ela, a sua irmã ajuda nas vendas, pois leva as peças para o trabalho e faz a propaganda entre as amigas.

Mas as novidades não acabam por aí, Canabrava está cheia de empreendedores. Marivaldo Miranda, 51 anos, modela objetos em gesso. Suas principais peças são molduras para quadros, espelhos e enfeites de todas as cores e todos os estilos. Há 22 anos, ele produz este material dentro da sua própria casa e costuma vender não só na comunidade, mas também nas feiras livres da região metropolitana de Salvador, em cidades como Candeias, Camaçari e Dias D’Ávila. “Eu vou de porta em porta tentar vender as minhas peças e o preço depende do freguês”, conta.

É nessa mistura de cores, produtos, materiais, estilos e idéias que os artesãos de Canabrava conseguem demonstrar os seus talentos. O artesanato não é só uma terapia, mas uma arte que envolve costumes e tradições desta comunidade.

(outubro de 2007)

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Posted in: CULTURA