Embalos da noite em Canabrava

Posted on 16/10/2007 por

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por Alanna Sampaio Freitas e Arivaldo Almeida

Os finais de semana em Canabrava são badalados. Os jovens aproveitam como podem, utilizando os mais diversos meios de diversão. De um simples som de carro estacionado na rua, à seresta no bar animado por Celinho Araújo, vídeos de pagode na TV da barraca do Ladinho, no fim de linha, até a hora de sambar com o grupo cultural Bicho da Cana. 

A disputa pelo espaço é grande. Os sons dos carros dissipam rua a fora, um toca seresta, outro pagode e o da esquina, arrocha. Os jovens vão chegando, logo convidam um parceiro (a), se amassam, vão até o chão gritando “ Chão, chão, mostra aí seu pacotão”. E aos que não curtem os diferentes estilos musicais, as Lan houses e as igrejas evangélicas e do testemunho de Jeová complementam os finais de semana. 

Sobrancelhas feitas com lâminas de aço, bermudas estilo surfista, cabelos arrepiados com gel e a famosa “prata” pendurada no pescoço, fazem parte do figurino dos meninos. As meninas, trajam mini-saias jeans ou shorts curtos, blusas decotadas valorizando a barriga, especialmente o adereço que enfeita o umbigo, o famoso piercing. E quando o samba esquenta e o suor aumenta, a toalhinha é ferramenta principal para não borrar a maquiagem e tirar o penteado modelo tiara. 

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A vida humilde não é motivo para desanimar essa gente. R$ 1 é o preço da diversão. Esse é o dinheiro pro pagode, mais alguns para as cervejinhas com os amigos e pronto. A folia está completa e se rolar uma paquera, melhora o ânimo para a segunda-feira. Pandeiro na mão, garganta afiada, e frases do tipo “Eu conheci uma garota na internet – piriguete” e “eu não te quero mais, oh! Sai daqui piriguetona”,  fazem do “pagodão” um sucesso. 

A idade não interessa, o importante é se divertir. As senhoras sentadas na porta de casa se empolgam com a música e começam a rebolar, crianças de cinco a sete anos copiam o modelo dos jovens e com as mãozinhas na cintura sambam até o chão. Já as mulheres se exibem com suas roupas curtas e calcinhas à mostra na altura do coes, que deixam ver as frases como, “Kiss me”, que significa “me beija”, transformam o remelexo em pura sedução.

Durante os finais de semana, o bairro enche. As pessoas que moram nas adjacências e ex-moradores,  fazem de Canabrava o melhor lugar para diversão da redondeza.  Daniel Rodrigues, 23 anos, veio pela primeira vez curtir o embalo do pagode feito pelo Grupo Cultural Bicho da Cana e, para ele, poder ouvir o som, a percussão e o respeito pela diversidade, fazem deste lugar perfeito. 

Morar em Canabrava é ter estilo próprio. É conviver com conhecidos que são verdadeiros familiares, um cotidiano com ar de cidadezinha do interior. Esperar ansioso pelo final de semana, onde boa parte da juventude se reencontra para colocar os assuntos em dia, jogar sinuca, tomar uma cervejinha, paquerar e sambar até cansar. Este é o habitual de quem mora e freqüenta este bairro.

(setembro de 2007)

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Posted in: CRÔNICAS