Canabrava e região aguardam os U$100mil

Posted on 15/10/2007 por

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Por Florence Perez
[florperez20@hotmail.com]
Pedro Cavalcanti
[pedrocsbr@hotmail.com]

Foto: Pedro Cavalcanti

A empresa canadense Conestoga Revers e Associates (CRA), que há quase um ano está extraindo o gás metano do lixão de Canabrava, enviou U$ 100 mil, quase R$ 200 mil, em janeiro de 2006, às comunidade de Bosque Real, Boa Paz, Baixa Fria e Canabrava. O dinheiro está com a Superintendência de Meio Ambiente (SMA), da Prefeitura de Salvador. Só agora a superintendência  e as lideranças decidiram o que fazer com a quantia. Como sugestão da prefeitura, o valor será aplicado em cursos profissionalizantes e na construção de um galpão para reciclagem. A idéia original da comunidade era a criação da Casa do Trabalhador, um lugar para profissionalização da população local.
A cada ano de queima de gás metano no aterro Canabrava a CRA deverá garantir, aproximadamente U$170mil, por dez anos. Segundo Luciano Fiúza, diretor comercial da empresa canadense, serão depositados em uma conta criada pela prefeitura. Em 31 de janeiro de 2006, segundo o Diário Oficial do Município, a empresa adiantou U$ 100 mil do pagamento, apesar da primeira parcela só vencer em 2008.

Francisco dos Santos, presidente da Associação Comunitária dos Amigos do Bairro de Canabrava há 3 anos, afirma que a comunidade elaborou um projeto, protocolado em abril materia-pedro.jpgde 2006, que foi apresentado à SMA em maio do mesmo ano. A idéia, segundo o líder comunitário, era aproveitar uma casa da Fundação Cidade Mãe como espaço para a construção da Casa do Trabalhador, que tinha por objetivo oferecer cursos profissionalizantes à população local, como oficinas de corte e costura, marceneiro, serralheiro e inclusão digital.

Segundo Maria de Fátima Nascimento, gerente de educação ambiental da SMA, o projeto está sendo desenvolvido em parceria com as comunidades. “O nosso objetivo o tempo inteiro é casar os objetivos da Prefeitura com os objetivos da comunidade”, afirma a gerente. Segundo ela, de maio de 2006 até abril desse ano,  as reuniões para discutir o projeto estavam paradas. Só foram retomadas pelo novo superintendente Ary da Mata e Silva que assumiu o cargo em fevereiro de 2007.

Nos meses de maio e junho desse ano foram realizadas três reuniões itinerantes com a presença da SMA nas comunidades de Canabrava, Bosque Real e Baixa Fria, para que pudesse apresentar sua proposta. “Nosso projeto tem três focos prioritários: a realização de atividades educativas ligadas ao meio ambiente com a comunidade, a geração de emprego e renda e a realização de obras de infra-estrutura”, disse a gerente da SMA. Segundo ela, a única comunidade em que não houve reunião foi Boa Paz, pois a superintendência não conseguiu o contato com seu líder comunitário na época.

Para a gerente de educação ambiental, essas reuniões revelaram novas prioridades de cada comunidade, daí então, a SMA decidiu aplicar um questionário sócio-ambiental para identificar as carências da região. Nos meses de julho e agosto foram feitas 300 entrevistas com a população local, gerando um relatório que foi apresentado às lideranças das quatro comunidades no último dia 26 de setembro, junto com a proposta da SMA para utilizar o dinheiro. 

Para Maria de Fátima, “ao invés da gente gastar esse dinheiro para criar uma Casa do Trabalhador, porque existe toda uma dificuldade de gerenciar, construir, é um trabalho enorme e um custo altíssimo, podemos oferecer a eles se profissionalizarem em locais que já têm cursos profissionalizantes”. A gerente acrescentou que o restante das parcelas só virá na medida em que a redução das emissões de carbono seja certificada pelos organismos internacionais ligados ao protocolo de Kyoto, o que segundo Fiúza, diretor da empresa canadense, deve acontecer em abril de 2008.

(outubro de 2007)

 

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