Boxe de Nova Brasília é orgulho nacional

Posted on 15/10/2007 por

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por Francisco de Assis
[franciscode_assis@yahoo.com.br]
colaboradores: Davi Nascimento e Eder Silva
Fotos: Pedro Cavalcanti

O pugilista baiano Pedro Lima acabou com um dos maiores jejuns do Brasil em jogos pan-americanos ao derrotar Demetrius Andrade, dos Estados Unidos, campeão do mundo, na categoria meio médio até 69kg. Quebrando um tabu de 44 anos do Brasil sem medalha de ouro no boxe, tornou-se um símbolo da modalidade no país, além de um orgulho para o bairro de Nova Brasília em Salvador.

A última conquista brasileira aconteceu no Pan-americano de São Paulo, em 1963, quando Elcio Neves, Rosemiro e Luis Leônidas conquistaram o ouro do Brasil no boxe. De lá para cá, passaram-se 44 anos de dominação norte-americana e cubana em jogos Pan-americanos. O brasileiro estava confiante e antes do início dos jogos declarou: “É só chegar lá e trazer a medalha de ouro”. De fato, numa virada emocionante nos últimos 10 segundos, por 7×6, Pedro Lima derrotou o favorito e levou a medalha de ouro. O ringue do Pavilhão dois do Riocentro virou palco da comemoração do Brasil.

“Eu só pensava em lutar e vencer” foram às palavras do campeão em entrevista ao Fala Comunidade, referindo-se ao fato de ter disputado durante todo o pan-americano do Rio de Janeiro com a mão direita machucada. Para chegar à final da categoria meio médio foram três vitórias por pontos. O pugilista foi considerado o melhor atleta do boxe nacional, em 2006, pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB). Ao longo da carreira, o lutador reuniu 32 títulos nacionais e internacionais. Já lutou em vários países, como: Cuba, Venezuela, República Dominicana, Argentina, China, Filipinas, República Tcheca e Espanha.

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Ao regressar da conquista dourada no Pan 2007, o atleta foi recebido com festa em Salvador. Desfilou em carro de bombeiro por vários pontos da cidade e onde passava era aclamado como um herói. Agora, Pedro Lima quer ir mais além. “Eu quero entrar para história”, disse o atleta objetivando tornar-se um referencial do boxe como Cassius Marcellus Clay Jrº, mundialmente conhecido como Muhammad Ali.

A influência da conquista dourada no Pan 2007 incendiou a prática do boxe na região de Nova Brasília. Para o professor de boxe do bairro, Ubiraci Borges dos Santos, campeão baiano em 1992-1993 e Norte-Nordeste em 1994, a região é um celeiro de atletas e agora tende a crescer ainda mais. Segundo outro professor, Evanildo de Jesus dos Santos, a comunidade possui vários atletas talentosos, que, se direcionados devidamente, possuirão um futuro promissor para o boxe brasileiro. Atualmente existem duas academias de boxe no bairro. O número de praticantes tem crescido como conseqüência das conquistas por parte de pugilistas da região. Para o aluno Esdras Bonfim de Jesus, o boxe é uma atividade prazerosa, ele treina todos os dias, a fim de se tornar um campeão.

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Nova Brasília possui outro ícone do boxe nacional. É Alessandro Mattos, atleta que foi às Olimpíadas de Atenas e campeão de vários torneios nacionais e internacionais no boxe amador. Em entrevista ao Fala Comunidade, Alessandro declarou: “O apoio da família foi determinante para meu sucesso no boxe”. Os pugilistas Pedro Lima e Alessandro Mattos são amigos e já participaram da Seleção Brasileira de Boxe, em São Paulo, em categorias diferentes. Os pugilistas treinam juntos na mesma academia, a Champions, no bairro da Cidade Nova, em Salvador. Os dois atletas têm como ídolo o boxeador Kelson Carlos Pinto, e reforçam que o empenho e a força de vontade o tornou um exemplo. Ambos os atletas de Nova Brasília são treinados por Luis Carlos Dorea, mesmo técnico que revelou Ascelino Freitas, o Popó, tricampeão mundial de boxe pelas organizações WBO (Organização Mundial de Boxe) e AMB (Associação Mundial de Boxe).

Dificuldades
Apesar dos atletas conseguirem se destacar no boxe nacional e internacional enfrentam problemas com a falta de patrocínio. Para Alessandro Mattos: “O fator financeiro foi determinante para se profissionalizar”, mesmo assim, espera por patrocínio para aumentar a projeção internacional, determinante para um boxeador profissional. Já Pedro Lima disse que está recebendo propostas para se profissionalizar, pois as dificuldades do boxe amador são muito grandes. A decisão está com o seu técnico Dórea. O atleta mora com os pais e anseia ter condições de adquirir um imóvel para si e melhorar as condições da família. Caso o lutador se profissionalize não poderá participar das olimpíadas da China; assim as chances do Brasil de chegar ao pódio olímpico diminuem ainda mais.

Alessandro Mattos e Pedro Lima são reflexos do povo do bairro de Nova Brasília. Pois souberam com garra transformar as adversidades em estímulos para vencer as dificuldades da vida, sem perder a alegria de viver. Cumprindo assim a famosa frase do revolucionário Che Guevara “Ai que siempre que lutar, sem que jamais se perca la ternura de viver”. 

(setembro de 2007)

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