Vaga escolar é ouro na EVA

Posted on 10/10/2007 por

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por Patrícia Oliveira e Mateus Borges
colaboração: Adriana Coelho

“Tive que dormir na fila para conseguir uma vaga na escola para meu filho. Cheguei lá um dia antes ao da matrícula, um pouco mais das 6h da tarde, quando já tinham umas 50 pessoas em minha frente. Levei café e minha irmã que mora perto da escola me emprestou um banco e um lençol pra combater o cansaço e o sereno. Mas de nada adiantou. Quando os portões abriram, mais ou menos 7h30 da manhã foi o maior tumulto, furaram a fila e quando chegou a minha vez as vagas já tinham acabado”, relata Norbertina da Cruz, “Tina”, 47 anos, mãe de um estudante.

Essa é a realidade árdua de quase todas as pessoas que moram na Av. Aliomar Baleeiro, mais conhecida como Estrada Velha do Aeroporto (EVA), pois embora a matrícula seja informatizada, há poucas instituições públicas de ensino médio na EVA, o que força aos pais de alunos a terem de chegar antecipadamente para tentar garantir a matrícula dos filhos. O subsecretário de Educação de Salvador, Cláudio Souza da Silva, alega que faltam verbas tanto do Governo Estadual, quanto do Federal para a construção de mais escolas em áreas periféricas. “Como trabalhamos praticamente sem dinheiro na Secretaria Municipal da Educação e Cultura (SMEC) a prioridade é pensar em desenvolver cada vez mais as escolas públicas que já temos por lá”, afirma o subsecretário.

De acordo com dados da Superintendência de Desenvolvimento da Educação Básica (Sudeb), órgão da Secretaria de Educação do Estado da Bahia, existem 31 colégios estaduais de ensino médio em Salvador; já no interior são 292, totalizando 323 instituições somente de ensino médio no Estado da Bahia. Desde 1996, no Brasil, corresponde ao ensino médio a etapa do sistema de ensino composto por três séries, que são equivalentes à última fase da educação básica chamado de segundo grau. A finalidade é aprofundar os conhecimentos adquiridos no ensino fundamental ou ensino de Primeiro Grau, bem como a formação do cidadão para a vida social e para o mercado de trabalho, oferecendo o conhecimento básico necessário para o estudante ingressar no ensino superior.

O diretor de educação básica da Secretaria Estadual de Educação da Bahia, Roberto Vieira, considera importante que o estudante tenha domínio de todas as áreas, não somente uma específica. “Deve-se ter desenvoltura para interpretação, leitura, compreensão das ciências da natureza e da matemática, objetivando o desenvolvimento cientifico e lógico, bem como as ciências humanas que nos dá oportunidade de compreender o mundo, principalmente para o exercício consciente da cidadania”, completa o diretor.

Na EVA, apenas três unidades atendem o grande número de estudantes: O Colégio Estadual Vera Lux, em Nova Brasília, o Eraldo Tinoco, em Sete de Abril e o colégio Padre José Vasconcelos, em Jardim Nova Esperança. Habitantes da área alegam que, embora os colégios fiquem na mesma região, os bairros distanciam-se uns dos outros e como a maioria dos moradores possui uma renda baixa, muitos ficam até sem estudar por não ter dinheiro para o transporte.

“Não pego ônibus para chegar à escola, dá pra ir andando. Já acostumei. Estudo no Vera desde a 1º série primária e sempre fui a pé, na maioria das vezes sempre vou com alguma colega, o tempo passa mais rápido e o caminho até encurta. Mas quem não está acostumado reclama. Recentemente o pessoal veio fazer a reportagem para o Fala e fizemos o trajeto da minha casa até a escola, que leva uns 30 minutos, acharam longe. Meu pai ganha pouco trabalhando na fábrica de uma empresa de refrigerante e minha madrasta, que considero como mãe, ajuda fazendo trabalhos de diarista. Lá em casa somos oito, entre meus pais, irmãs e sobrinhas, não dá para gastar dinheiro à toa”, afirma Aize Trindade de 18 anos, estudante da 1º série do ensino médio vespertino do Vera Lux.

No rastro da educação
No Fala Comunidade, o assunto educação não é novo, uma vez que já foi abordado na 5ª edição, mas a partir de visitas feitas em alguns bairros da EVA, pôde-se perceber que as reclamações do início de 2005 eram as mesmas. Depois de dois anos sofrendo com a superlotação, a situação não é diferente no colégio Vera Lux. “Temos cerca de 1.700 alunos matriculados na instituição distribuídos em três turnos e em 12 salas, as quais comportam em média 50 alunos chegamos até colocar 60. E no ano que vem vai ser pior. Nós só temos essa escola em Nova Brasília, tanto de nível fundamental quanto de ensino médio”, explica Rosivaldo dos Reis, diretor geral da instituição.

O diretor ainda diz que o colégio foi beneficiado pelo Ministério da Educação (MEC) com 10 computadores pelo Programa Nacional de Informática na Educação (Proinfo) desde o último mês de abril, porém por falta de espaço os computadores ficaram inutilizados até o último mês de setembro. “Uma sala está sendo adaptada para colocar os computadores que o MEC (Ministério de Educação e Cultura) enviou para a escola. Não temos autorização para construções, somente para adaptações. A sala que antes era usada para reunião de professores, agora será a de informática, completa Rosivaldo.
(setembro de 2007)

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Posted in: EDUCAÇÃO