Histórias mal contadas

Posted on 20/09/2007 por

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Falta de apoio e estrutura prejudicam trabalho realizado por bibliotecas

por Mila Melo

Salas mal iluminadas, livros empilhados em poucas estantes e algumas cadeiras. Pode até não parecer, mas são em locais como esses que funcionam as bibliotecas comunitárias de Vila Mar, Vila 2 de Julho e do Condomínio Aldeia das Pedras. Os projetos começaram a ser colocados em prática no ano passado com o apoio das Associações de Moradores de cada bairro e algumas já conseguiram arrecadar dois mil livros. A leitura pode possibilitar descobertas de novos mundos e histórias.

As bibliotecas comunitárias são freqüentadas, normalmente, por crianças de 7 a 14 anos. Para André Bispo, 13, aluno da sétima série e morador de Vila Mar, o projeto é importante porque ele não tem computador em casa e está sempre precisando fazer pesquisa. No bairro de André, a responsável pela biblioteca comunitária é Eliane Melo, diretora social da Associação de Moradores. Lia, como é conhecida por todos, aponta como dificuldade a falta de colaboradores. “Falta uma parceria, uma pessoa que pudesse nos ajudar cedendo armários e estantes”.

bibliotecas.jpgAs iniciativas partiram de pessoas da comunidade que acreditam poder colaborar para o estimulo à leitura. A atividade voluntária no Condomínio Aldeia das Pedras surgiu a partir da doação de um acervo já existente de uma moradora do condomínio vizinho, Trobogy. “Nós tínhamos um espaço, ela os livros, e eu o conhecimento e a vontade. Juntamos essas três forças”, conta Leda Sampaio, bibliotecária e uma das coordenadoras do projeto.

DIDÁTICOS
O acervo é composto na sua maioria por livros didáticos. Leda explica que há outro problema para ser enfrentado: a falta de material humano. “O mais difícil é a gente encontrar pessoas para trabalhar voluntariamente. Eles costumam ficar uma semana e não voltam mais”. A casa de leitura está instalada em uma sala próxima ao salão de festas do condomínio, onde acontecem durante a tarde as aulas de reforço escolar e de esportes, como capoeira e dança.

A Biblioteca Comunitária de Vila 2 de Julho é a que possui mais exemplares: dois mil. Mas a falta de um local adequado para guardar o acervo também é problema. “O importante são os livros, e nós temos. Estamos tentando suprir a necessidade da comunidade. Mas não temos onde  armazená-los. Precisamos de armários e estantes”, diz Moisés Carvalho, presidente da Associação de Moradores de Vila 2 de Julho. Os últimos livros que receberam estão arrumados em caixas dentro de uma sala nos fundos da associação, que serve ao mesmo tempo de sala de estudo, de armazenamento de cadeiras velhas.

HÁBITO DE LER
Mesmo sem apoio e com infra-estrutura precária, iniciativas como essas são importantes para a valorização da leitura. Esses projetos são bem aceitos pelos moradores: “Ter uma biblioteca no bairro é bom porque as pessoas começam a ler. Isso vai trazer beneficio para comunidade. Quando a gente precisa de algum livro tem que pegar no colégio e às vezes nem conseguimos”, fala Edson Cavalcanti, 20, estudante do 1° ano do ensino médio e morador de Vila Mar.

Na Biblioteca de Vila 2 de Julho, a coordenadora Daniela Cruz, 28, estudante de Pedagogia da Ufba, afirma preferir que as crianças levem o livro procurado para casa e, com isso, não precisam ficar no local que não é adequado para as pesquisas. “Gostaríamos até de colocar algumas idéias em prática, como o Clube de Leitura, para fazer com que as crianças viessem para o local ler historinhas e criar um hábito de leitura, mas por falta de estrutura isso ainda não foi possível”. Daniela diz que por não terem um computador, pretende arquivar os livros em uma ata para não correr o risco de perdê-los.

(julho de 2005)

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Posted in: CIDADE