Bem vindo à África

Posted on 20/09/2007 por

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Terreiro Mokambo reúne centenas de pessoas em Vila Dois de Julho

por Augusto Mascarenhas

Ao longe já podemos escutar o som dos atabaques. Ali, numa rua acanhada e sem saída da Vila Dois de Julho, mistura-se festa, religião e música. A roupa branca predomina entre os participantes do ritual – aqueles que puxam o canto, que recebem seus guias espirituais e dão o tom da celebração. Do outro lado, turistas, simpatizantes e curiosos disputam o melhor ângulo de visão. Folhas espalhadas pelo chão e a oferenda ao centro. As roupas e movimentos de dança, espontaneamente ritmados, vão compondo um cenário de história e religiosidade.

É assim que a Vila 2 de Julho celebra o candomblé, numa vasta programação de cerimônias no Terreiro Mokambo, sempre com a organização do tata Anselmo Gama, um dos mais conhecidos líderes da religião em Salvador. “O candomblé no Brasil não tem nenhum similar no mundo, ele é único”, comenta.

A utilização errada de alguns termos entristece o tata Anselmo, como gosta de ser chamado. “Fico triste quando vejo a sociedade tratando de termos ligados ao candomblé sem a verdadeira consciência do que dizem”. Mas acredito que, pelo menos, quando artistas utilizam na sua música, por exemplo, ‘Danda Lunda’ (gravada por Margareth Menezes e composta por Carlinhos Brown) influenciam as pessoas a pesquisarem o verdadeiro significado”.

Mas, ao mesmo tempo em que o artista influencia o público a conhecer o candomblé, acaba também se tornando um simpatizante da religião. O cantor Xangai, sempre que pode, comparece aos eventos do terreiro Mokambo, e se encanta com a cadência do ritmo musical da religião africana. “Uma força espiritual chega através dessa música. Não é repetitiva. Os toques dos atabaques são específicos de cada entidade. Isso me pulsa forte”. De família tradicional católica, o cantor acredita numa força espiritual presente nos rituais, resultando num bem-estar de quem pratica.

(julho de 2005)

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